O Ministério das Relações Exteriores (MRE)
intensificou as conversas com representantes da União Europeia na tentativa de
destravar a negociação sobre a exclusão da carne brasileira da lista de
importadores pelo alegado uso excessivo de antimicrobianos na pecuária.
Antimicrobianos são substâncias usadas para tratar e
prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem
funcionar como promotores de crescimento.
De acordo com interlocutores do Palácio do
Itamaraty, o ministro Mauro Vieira conversou, na última quinta-feira (4), com o
comissário de Comércio do bloco europeu sobre o assunto.
O governo trabalha para tentar reverter a decisão,
pelo menos parcialmente, até que ela entre em vigor, em setembro.
Ao mesmo tempo, o Ministério da Agricultura e o setor
privado buscam soluções técnicas para oferecer as garantias que os europeus
solicitaram, ou seja, visitas técnicas presenciais aos criadouros.
O presidente da Associação Brasileira de Proteína
Animal (ABPA), Ricardo Santin, afirmou que não há nenhum problema sanitário com
a carne brasileira.
Segundo ele, o setor já adota controles rigorosos,
mas está disposto a reforçar a fiscalização para evitar prejuízos nas vendas
para a União Europeia.
“A Europa não está discutindo ou tirou o Brasil da
lista porque o Brasil não está cumprindo [as exigências]. Tirou porque não tem
as garantias oficiais. Agora a gente vai agregar uma camada a mais de
fiscalização, porque ela é feita muito com base no autocontrole das empresas,
da declaração do produtor. A Europa quer que o Ministério da Agricultura também
certifique isso”, disse Santin.
“A Europa é um dos maiores compradores de carne de
aves e de carne bovina, especialmente com valor agregado. O valor da exportação
desses dois produtos para a Europa é bastante impactante. Soma mais de US$ 1
bilhão para o Brasil por ano, e isso é um número bastante importante para nossa
economia”, completou.
g1

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