quinta-feira, 11 de junho de 2026

FIM DA ESCALA 6×1: Mudança para 5×2 pode ser inviável para pequenas empresas, diz presidente da Abras

 


A adoção da escala 5×2 no setor supermercadista pode ser inviável para pequenas empresas, segundo o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi. A discussão ganhou força com o avanço da PEC que propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho.

De acordo com Galassi, a entidade já vinha estudando o tema antes mesmo da apresentação da proposta no Congresso, conforme informações da CNN.

Foram realizados testes com diferentes modelos de jornada, incluindo 12×36 e 5×2, mantendo a carga de 44 horas semanais.

Segundo ele, a escala 5×2 teria boa aceitação entre trabalhadores e poderia ser absorvida por parte do setor sem aumento imediato de preços. No entanto, o cenário muda nas pequenas empresas.

Negócios menores, como padarias e açougues, teriam dificuldade para reorganizar equipes e manter o funcionamento com menos flexibilidade. “Elas não conseguem fazer uma escala 5 por 2, muito menos reduzindo para 40 horas”, afirmou.

Galassi também destacou que o setor supermercadista brasileiro é altamente pulverizado. Segundo ele, diferente de outros países da América Latina, o Brasil possui milhares de empresas dividindo grande parte do faturamento do setor.

Para a Abras, qualquer redução de jornada de 44 para 40 horas semanais deve ocorrer de forma gradual. A entidade defende que a mudança esteja alinhada à reforma tributária, prevista para consolidação em 2033.

A proposta, segundo Galassi, ajudaria a compensar possíveis custos adicionais com a redução da jornada. A Abras também defende a criação do contrato horista como alternativa.

O modelo permitiria maior flexibilidade para empresas menores e poderia ajudar na formalização de trabalhadores informais. Segundo o presidente da entidade, a discussão sobre o fim da escala 6×1 precisa envolver empresários, governo e Congresso.

Ele afirma que há consenso sobre a redução da jornada, mas defende uma transição mais lenta para evitar impactos sobre empresas, empregos e preços ao consumidor.

 

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