A adoção da escala 5×2 no setor supermercadista pode
ser inviável para pequenas empresas, segundo o presidente da Associação
Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi. A discussão ganhou
força com o avanço da PEC que propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada
semanal de trabalho.
De acordo com Galassi, a entidade já vinha estudando
o tema antes mesmo da apresentação da proposta no Congresso, conforme
informações da CNN.
Foram realizados testes com diferentes modelos de
jornada, incluindo 12×36 e 5×2, mantendo a carga de 44 horas semanais.
Segundo ele, a escala 5×2 teria boa aceitação entre
trabalhadores e poderia ser absorvida por parte do setor sem aumento imediato
de preços. No entanto, o cenário muda nas pequenas empresas.
Negócios menores, como padarias e açougues, teriam
dificuldade para reorganizar equipes e manter o funcionamento com menos
flexibilidade. “Elas não conseguem fazer uma escala 5 por 2, muito menos
reduzindo para 40 horas”, afirmou.
Galassi também destacou que o setor supermercadista
brasileiro é altamente pulverizado. Segundo ele, diferente de outros países
da América Latina, o Brasil possui milhares de empresas dividindo grande parte
do faturamento do setor.
Para a Abras, qualquer redução de jornada de 44 para
40 horas semanais deve ocorrer de forma gradual. A entidade defende que a
mudança esteja alinhada à reforma tributária, prevista para consolidação em
2033.
A proposta, segundo Galassi, ajudaria a compensar
possíveis custos adicionais com a redução da jornada. A Abras também
defende a criação do contrato horista como alternativa.
O modelo permitiria maior flexibilidade para
empresas menores e poderia ajudar na formalização de trabalhadores
informais. Segundo o presidente da entidade, a discussão sobre o fim da
escala 6×1 precisa envolver empresários, governo e Congresso.
Ele afirma que há consenso sobre a redução da
jornada, mas defende uma transição mais lenta para evitar impactos sobre
empresas, empregos e preços ao consumidor.

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