quinta-feira, 4 de junho de 2026

Exportações caem 50%, e RN fecha maio com balança comercial no vermelho

 


A balança comercial do Rio Grande do Norte registrou déficit de US$ 3,8 milhões em maio de 2026, resultado de uma forte queda nas exportações, embora as importações tenham avançado. No mês, o Estado exportou US$ 37,9 milhões, valor 50,8% inferior ao registrado em maio de 2025, quando as vendas externas somaram US$ 77,4 milhões. Já as importações alcançaram US$ 41,7 milhões, crescimento de 11,2% em relação aos US$ 37,8 milhões importados no mesmo período do ano passado.

Diante do resultado de maio deste ano, o saldo da balança comercial potiguar passou de um superávit de aproximadamente US$ 39,6 milhões em maio de 2025 para um déficit de US$ 3,8 milhões em maio deste ano, uma deterioração de mais de US$ 43 milhões no resultado das transações internacionais do Estado.

Apesar do primeiro resultado negativo do ano, o acumulado de 2026 permanece favorável ao Rio Grande do Norte com um superávit de US$ 277,7 milhões, conforme os dados divulgados nesta quarta-feira (3) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O desempenho da balança potiguar interrompe uma sequência de superávits observada ao longo dos últimos 12 meses e representa uma mudança significativa no comportamento do comércio exterior local. O principal produto exportado pelo Rio Grande do Norte no quinto mês do ano foi o ouro, responsável por 45,7% das vendas externas. O metal precioso movimentou US$ 17,3 milhões no período e não possui base de comparação com maio de 2025, quando não houve registro de exportações do produto.

Na sequência, aparecem as frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas, com US$ 5,8 milhões (15,4% das exportações), mas com queda de 19,3%. Outros minerais em estado bruto somaram US$ 2,3 milhões e representam 5,9% das vendas externas, porém, com retração de 23,9%. Os minérios concentrados de metais de base representaram US$ 2,1 milhões (5,6%), também sem comparativo anual.

Entre os destinos das exportações, o Canadá assumiu a liderança, respondendo por 36% das vendas externas do Estado. O país importou US$ 13,6 milhões em produtos potiguares, um salto de 2.676,7% em relação a maio do ano passado.

Além do país norte americano, os principais compradores foram Países Baixos (Holanda), com US$ 3,9 milhões (10,2%) e uma alta de 127,2%; além do Marrocos que comprou US$ 1,5 milhão (3,9%) em produtos do estado, num crescimento de 1.087,6%; e da Nigéria, que somou US$ 1,1 milhão e um recuo de 56%. Já o Chile, com US$ 1 milhão (2,7%), teve alta de 1.675,3%, enquanto que o Reino Unido recuou 46,9% com seus US$ 982,5 mil, representando 2,6% das exportações potiguares.

O dado mais expressivo foi a redução das compras pelos Estados Unidos, que se apresentou como terceiro maior exportador do estado, representando 10,1% (US$ 3,8 milhões) do que é vendido pelo RN. O país deixou de adquirir cerca de US$ 26,1 milhões em produtos potiguares na comparação anual, numa redução de 87,2%. O comportamento chama atenção por indicar um movimento inverso ao das exportações: reduziu significativamente suas compras de produtos do RN, ampliou em 22,4% suas vendas ao mercado potiguar, somando US$ 3,4 milhões (8,3% das importações).

Importações crescem puxadas por combustíveis
Pelo lado das importações, os combustíveis lideraram as compras do exterior. Os óleos combustíveis derivados de petróleo e minerais betuminosos responderam por 33,9% das importações do Estado, movimentando US$ 14,1 milhões, alta de 109,2% sobre maio de 2025.

Também se destacaram o trigo e centeio não moídos, com US$ 4,9 milhões (11,8%), aumento de 87,5%; produtos residuais de petróleo e materiais relacionados, com US$ 3,7 milhões (8,8%) e crescimento de 116,7%.
Entre os fornecedores, os Países Baixos (Holanda) lideraram com folga, respondendo por 34,1% das importações potiguares, com US$ 14,2 milhões (34,1%), alta de 11.039,6%. A Argentina vendeu US$ 7,7 milhões para o estado e assumiu o segundo lugar entre os importadores, respondendo por 18,4% e um crescimento de 298,8%.

A China recuou 54,2% nas vendas para o estado, somando US$ 6,9 milhões (16,5%). Enquanto a Alemanha (US$ 2 milhões) e o México (US$ 1,5 milhão) registraram alta de 158,2% e 344,7%, respectivamente.

Acumulado
Apesar do resultado negativo de maio, nos cinco primeiros meses do ano, o Estado exportou US$ 481,3 milhões, crescimento de 8,3% em relação ao mesmo período de 2025. As importações somaram US$ 203,7 milhões, alta de 1,7%. O saldo acumulado permanece superavitário em US$ 277,7 milhões, indicando que as exportações ainda superam com folga as importações no conjunto do ano.

Contudo, o histórico dos últimos doze meses mostra reversão após sequência de superávits. Os números revelam que maio foi o primeiro mês com déficit comercial desde julho de 2024, quando as exportações somaram US$ 40,4 milhões e as importações chegaram a US$ 43 milhões.

Brasil registra superávit
No cenário nacional, a balança comercial brasileira manteve desempenho positivo em maio de 2026, diferentemente do que ocorreu no Rio Grande do Norte. O país registrou US$ 32 bilhões em exportações e as importações somaram US$ 24,1 bilhões, com um superávit de US$ 8 bilhões. O número representa uma alta de 10,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o saldo positivo havia ficado em US$ 7,1 bilhões.

A corrente de comércio (soma das exportações e importações) fechou o mês em US$ 56,0 bilhões, o que corresponde a um avanço de 6,1% sobre maio de 2025, quando o montante foi de US$ 52,8 bilhões. No ano, as exportações totalizam US$ 149 bilhões e as importações, US$ 116 bilhões, com saldo positivo de US$ 33 bilhões.

No mês de maio/2026, comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores exportadores foi o seguinte: crescimento de US$ 0,73 bilhão (9,8%) em Agropecuária e de US$ 1,37 bilhão (9,0%) em produtos da Indústria de Transformação. Houve queda de US$ 0,13 bilhão (1,9%) em Indústria Extrativa.

Já comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores importadores foi o seguinte: crescimento de US$ 1,34 bilhão (6,3%) em produtos da Indústria de Transformação; queda de US$ 0,04 bilhão (7,8%) em Agropecuária e de US$ 0,1 bilhão (10,1%) em Indústria Extrativa.

 

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