As condições estruturais do Centro de Tratamento de
Queimados (CTQ) do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel pautaram o pronunciamento
da deputada Cristiane Dantas (PSDB), nesta quarta-feira (3), na Assembleia
Legislativa. A parlamentar externou preocupação com a paralisação das obras de
reforma da unidade, única referência especializada para esse tipo de
atendimento em todo o Rio Grande do Norte, e solicitou providências imediatas
diante do aumento de casos graves registrados.
De acordo com a deputada, a reforma, iniciada em
agosto de 2022 com orçamento previsto de R$ 1,2 milhão, encontra-se estagnada
com apenas 1% dos serviços executados. Cristiane Dantas destacou que a
desativação do ambulatório especializado obrigou a alocação de todos os
pacientes em um mesmo setor, o que eleva consideravelmente os riscos de
infecção hospitalar.
A parlamentar relembrou uma visita técnica realizada
pela Comissão de Saúde da Casa, na qual os deputados Dr. Kerginaldo (PL) e
Terezinha Maia (PL) constataram um cenário que compararam a uma "zona de
guerra". “Não tem mais justificativa para que, dois anos após a
paralisação, não tenha sido tomada uma providência emergencial. Se a empresa
não cumpriu o contrato ou abandonou a obra, é preciso uma solução eficaz para
dar continuidade ao projeto”, cobrou.
O agravamento da situação ganha contornos ainda mais
preocupantes devido ao período de festividades juninas, época em que
historicamente cresce o número de acidentes com fogos e fogueiras. A deputada
apresentou dados comparativos: enquanto em 2023 houve o registro de um caso de
queimadura grave, no primeiro semestre de 2024 já foram contabilizados seis
episódios, com aumento no índice de óbitos. Dados recentes da Secretaria de
Estado da Saúde Pública (Sesap) reforçam o alerta, indicando que o número de
internações por queimaduras dobrou nos últimos seis meses no estado.
Diante do cenário, a representante do PSDB
protocolou um requerimento exigindo explicações do Governo do Estado sobre a
desativação do ambulatório e a demora na retomada dos serviços. Recentemente, o
Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) também recomendou a retomada
imediata das obras, apontando que os recursos para a requalificação, agora
avaliados em R$ 1,8 milhão, estão assegurados. Durante sua fala, a parlamentar
ainda parabenizou a equipe médica, liderada pelo Dr. Marco Almeida, pelo
esforço contínuo em manter o setor em funcionamento apesar dos desafios
estruturais.
Em manifestações recentes, a gestão estadual
informou que a paralisação ocorreu por descumprimento contratual da empresa
responsável e que o processo de distrato está em andamento para viabilizar uma
nova licitação para o hospital.

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