O Escritório do Representante de Comércio
dos Estados Unidos justificou a proposta de tarifa de 25% sobre
produtos brasileiros citando falhas do Brasil no combate à corrupção. O
documento americano menciona a decisão do ministro Dias Toffoli,
do Supremo Tribunal Federal, que anulou as provas do acordo de
leniência da Odebrecht. A informação é da Folha de São Paulo.
O relatório aponta que a medida de Toffoli invalidou
evidências do maior esquema de corrupção transnacional da história e resultou
na anulação de centenas de processos. O governo americano também criticou a
suspensão de multas da Lava Jato em 2024 e a falta de transparência na
renegociação dos acordos de leniência.
A renegociação dos acordos com a União foi concluída
em 2025 e validada pelo ministro André Mendonça, mas o plenário do STF ainda
não julgou o caso. Organizações internacionais, como a OEA e a Transparência
Internacional, apontaram insegurança jurídica e violação a convenções
anticorrupção por parte do Brasil.
O escritório comercial dos Estados Unidos afirma que
a impunidade de empresas brasileiras gera desvantagem competitiva para as
companhias americanas no mercado. A investigação baseada na Seção 301 avalia
temas que vão desde leis anticorrupção e proteção à propriedade intelectual até
o desmatamento ilegal.
A taxação proposta também abrange queixas sobre o
acesso ao mercado de etanol e suposto tratamento preferencial do Banco Central
ao sistema Pix. Empresas americanas de cartões de crédito questionam o modelo
do Pix, enquanto o governo brasileiro nega a existência de favorecimento na
plataforma.
A decisão de Toffoli em setembro de 2023 determinou
que os dados dos sistemas de comunicação e contabilidade da Odebrecht eram
imprestáveis judicialmente. Na ocasião, o ministro declarou que as
investigações da Operação Lava Jato utilizaram métodos ilegais e caracterizaram
um desvio de função de agentes públicos.
Em fevereiro de 2024, Toffoli suspendeu os
pagamentos das multas que haviam sido aplicadas à empreiteira no âmbito do
acordo com o Ministério Público. O magistrado vem invalidando atos processuais
contra diversos alvos da operação, sob o argumento de que houve conluio entre a
acusação e o ex-juiz Sergio Moro.
A assessoria de imprensa do Supremo Tribunal Federal
foi procurada para se manifestar sobre as conclusões apresentadas pelo governo
dos Estados Unidos. Até o momento da publicação desta reportagem, o ministro
Dias Toffoli não emitiu posicionamento a respeito das críticas contidas no
documento americano.

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