A velocidade com que o governo Lula e o presidente
da Câmara, Hugo Motta, negociaram a transição da PEC 6x1 surpreendeu até quem
acompanha o debate de perto. O setor empresarial pedia dez anos. Parlamentares
do centrão aventavam cinco. O acordo final entregou um ano — e em duas etapas,
sendo que a primeira, de 44 para 42 horas com escala 5x2 obrigatória, entra em
vigor em apenas 60 dias após a promulgação.
Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do
FGV IBRE, não escondeu a preocupação em entrevista ao Valor Econômico: "A
transição proposta é super rápida. A minha preocupação é que está se vendendo
isso como se fosse uma medida sem custo para os trabalhadores. Em geral, quem
vai pagar a conta será justamente o trabalhador mais fragilizado".
A lógica é implacável: empresas que operam com
margens apertadas, especialmente no comércio varejista, alimentação fora do lar
e serviços — setores que mais empregam no Brasil —, não terão tempo de se
reestruturar. O resultado previsível é um tripé de consequências: demissão dos
funcionários atuais para recontratação com salários menores; migração de postos
formais para a informalidade; e aumento da rotatividade, que já é uma das
maiores do mundo.
O Brasil tem 39 milhões de trabalhadores informais,
segundo o IBGE. O comércio, que seria um dos setores mais afetados pela
obrigatoriedade do 5x2, precisaria ampliar seus quadros em até 20% para manter
as operações nos mesmos horários, segundo a Alshop (Associação Brasileira de
Lojistas de Shopping). Quem vai bancar essas contratações? O presidente da entidade,
Nabil Sahyoun, respondeu com precisão: "Menos domingos, menos sábados,
menos vendas, menos comissões e menos renda. O efeito final pode ser exatamente
o oposto do discurso de proteção ao trabalhador".
A pressa tem explicação política, não técnica. A eleição
é em outubro de 2026. Todos os países desenvolvidos que reduziram jornadas
fizeram transições de 5, 10 ou 15 anos, sempre atreladas a ganhos de
produtividade. O Brasil decidiu fazer em 12 meses, sem nenhum plano de aumento
de produtividade acoplado. E quem vai arcar com o custo dessa pressa não será o
político que votou "sim" — será o trabalhador que perdeu o emprego
formal.

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