A costa do Rio Grande do Norte contará com a
instalação de um cabo submarino que deve colocar o estado definitivamente na
corrida por tecnologias fundamentais para o desenvolvimento de importantes
setores econômicos, como os chamados data centers. De acordo com Hugo Fonseca,
a ideia é viabilizar a instalação em duas áreas, chamadas de zonas de
atracação. Uma delas, praticamente já definida, é Natal. No entanto, o Governo
do Estado busca um segundo ponto, em Areia Branca, na região Oeste. A
expectativa é que a instalação para a capital seja anunciada em até 45 dias
pelo Governo Federal.
“A ausência de cabos marítimos representa um risco.
Para se ter uma ideia, 90% do tráfego de informações que circulam pelo País na
internet passam apenas pelo Ceará. Se houver o corte desses cabos, operações
importantes, como as bancárias, não funcionam. Outro ponto é que a falta dessa
infraestrutura limita as áreas que podem receber os data centers, já que a
proximidade deles com os cabos diminui o tempo de transição de grandes volumes
de dados de um para o outro”, pontuou Hugo Fonseca.
Segundo ele, no ano passado o projeto para zonas de
atracação foi apresentado pelo Estado ao Ministério das Comunicações. Além dos
dois pontos que têm avançado no processo de viabilização das instalações, o RN
disponibilizou outras 11 áreas prioritárias ao longo da costa potiguar,
planejadas para a instalação de cabos. “Pelo menos uma das zonas já está
garantida e ela pode ser em Natal ou em Areia Branca. Mas nós queremos dois
pontos: um em Natal, onde o cabo ganhará uma ‘perna’ para margear a costa do
Estado e chegar ao segundo ponto, em Areia Branca”, explicou o secretário.
Hugo Fonseca frisou que as duas zonas são
fundamentais para conectar as regiões Leste e Oeste e para modernizar a
indústria potiguar. “Apenas 30% da nossa indústria é digitalizada, por isso é
tão necessária essa conexão. A chegada desse cabo é importante para que as duas
regiões do RN estejam aptas a receber investimentos da indústria
eletrointensiva, com os data centers e os computadores de alto desempenho.
Também abre possibilidade para que outros estados
puxem uma perna para se conectar ao cabo”, citou o secretário de
Desenvolvimento Econômico.
Supercomputador
O Rio Grande do Norte receberá, no segundo semestre
deste ano, um dos dois supercomputadores a serem instalados no Brasil via Plano
Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). A tecnologia será implantada no
Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX), em Macaíba, na Grande
Natal, com investimentos da ordem de R$ 1,8 bilhão. Os recursos são do Governo
Federal, com contrapartida do Estado.
O outro supercomputador será construído no Sudeste
do País, mas, de acordo com Hugo Fonseca, da Secretaria de Desenvolvimento
Econômico do RN, o Governo Federal ainda não definiu qual estado da região
receberá o equipamento, que pode chegar a pesar cinco toneladas. No Rio Grande
do Norte, a construção levará cerca de 12 meses, com tecnologias americana e
chinesa.
“Os dois supercomputadores [do RN e do Sudeste] vão
trocar informações o tempo todo por meio de IA. Eles são estratégicos para a
indústria, ciência, tecnologia e inovação. Além disso, um equipamento do tipo,
quando se instala, atrai um conjunto de empresas de alta tecnologia – desde
aquelas que atuam no mercado financeiro às que vendem soluções para o sistema
bancário. Então, cria-se um grande hub, com big techs e empresas que trabalham
com processamento de alto desempenho”, disse Fonseca.

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