quinta-feira, 21 de maio de 2026

RN vai ganhar a instalação de cabos submarinos para data centers

 


A costa do Rio Grande do Norte contará com a instalação de um cabo submarino que deve colocar o estado definitivamente na corrida por tecnologias fundamentais para o desenvolvimento de importantes setores econômicos, como os chamados data centers. De acordo com Hugo Fonseca, a ideia é viabilizar a instalação em duas áreas, chamadas de zonas de atracação. Uma delas, praticamente já definida, é Natal. No entanto, o Governo do Estado busca um segundo ponto, em Areia Branca, na região Oeste. A expectativa é que a instalação para a capital seja anunciada em até 45 dias pelo Governo Federal.

“A ausência de cabos marítimos representa um risco. Para se ter uma ideia, 90% do tráfego de informações que circulam pelo País na internet passam apenas pelo Ceará. Se houver o corte desses cabos, operações importantes, como as bancárias, não funcionam. Outro ponto é que a falta dessa infraestrutura limita as áreas que podem receber os data centers, já que a proximidade deles com os cabos diminui o tempo de transição de grandes volumes de dados de um para o outro”, pontuou Hugo Fonseca.

Segundo ele, no ano passado o projeto para zonas de atracação foi apresentado pelo Estado ao Ministério das Comunicações. Além dos dois pontos que têm avançado no processo de viabilização das instalações, o RN disponibilizou outras 11 áreas prioritárias ao longo da costa potiguar, planejadas para a instalação de cabos. “Pelo menos uma das zonas já está garantida e ela pode ser em Natal ou em Areia Branca. Mas nós queremos dois pontos: um em Natal, onde o cabo ganhará uma ‘perna’ para margear a costa do Estado e chegar ao segundo ponto, em Areia Branca”, explicou o secretário.

Hugo Fonseca frisou que as duas zonas são fundamentais para conectar as regiões Leste e Oeste e para modernizar a indústria potiguar. “Apenas 30% da nossa indústria é digitalizada, por isso é tão necessária essa conexão. A chegada desse cabo é importante para que as duas regiões do RN estejam aptas a receber investimentos da indústria eletrointensiva, com os data centers e os computadores de alto desempenho.

Também abre possibilidade para que outros estados puxem uma perna para se conectar ao cabo”, citou o secretário de Desenvolvimento Econômico.

Supercomputador

O Rio Grande do Norte receberá, no segundo semestre deste ano, um dos dois supercomputadores a serem instalados no Brasil via Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). A tecnologia será implantada no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX), em Macaíba, na Grande Natal, com investimentos da ordem de R$ 1,8 bilhão. Os recursos são do Governo Federal, com contrapartida do Estado.

O outro supercomputador será construído no Sudeste do País, mas, de acordo com Hugo Fonseca, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do RN, o Governo Federal ainda não definiu qual estado da região receberá o equipamento, que pode chegar a pesar cinco toneladas. No Rio Grande do Norte, a construção levará cerca de 12 meses, com tecnologias americana e chinesa.

“Os dois supercomputadores [do RN e do Sudeste] vão trocar informações o tempo todo por meio de IA. Eles são estratégicos para a indústria, ciência, tecnologia e inovação. Além disso, um equipamento do tipo, quando se instala, atrai um conjunto de empresas de alta tecnologia – desde aquelas que atuam no mercado financeiro às que vendem soluções para o sistema bancário. Então, cria-se um grande hub, com big techs e empresas que trabalham com processamento de alto desempenho”, disse Fonseca.

 

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