A Petrobras anunciou reajuste de R$ 0,48/litro na
gasolina A a partir desta sexta, 29, acompanhado de desconto de R$ 0,44/litro
referente à subvenção federal anunciada em 13 de maio — deixando impacto
residual de apenas R$ 0,04 nas distribuidoras e R$ 0,03 ao consumidor final.
Sem a subvenção, o reajuste seria de 17,12%.
No diesel, a subvenção de R$ 1,20/litro incide
apenas sobre o produto importado — que representa pouco mais de 20% do mercado
do Rio Grande do Norte. Mais de três quartos do diesel consumido no estado não
é diretamente alcançado pela medida.
Além disso, quando qualquer combustível sobe, toda a
cadeia recalibra suas referências de custo: frete, distribuição e margens
varejistas absorvem pressão mesmo quando a subvenção cobre apenas parte do
mercado.
Os dados do ciclo 2026 já revelam esse fenômeno: as
nove ondas de reajuste da Refinaria Clara Camarão (Brava Energia) acumularam
+R$ 1,71/litro na gasolina A (+68,12%) entre fevereiro e maio, enquanto a bomba
em Natal registrou alta de apenas R$ 0,45 a R$ 0,50/litro segundo a ANP. Os
postos absorveram cerca de R$ 0,75/litro ao longo do ciclo, operando com margem
comprimida ou negativa — foram eles, não a subvenção, que seguraram os preços
ao consumidor.
A subvenção da gasolina tem prazo: a Portaria MF nº
1.496, de 25 de maio de 2026, prevê vigência de dois meses, com vencimento
projetado para o final de julho. Com o reajuste de hoje consumindo praticamente
toda a folga criada pela medida, sua renovação torna-se condição para evitar
repasse abrupto ao consumidor.

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