Seis empreendimentos imobiliários em São Paulo unem
os dois maiores escândalos recentes de corrupção do país. Eles são sociedades
entre a Novonor – novo nome que a Odebrecht escolheu para limpar sua imagem
depois de ser pivô da Lava Jato – e fundos atribuídos a Daniel Vorcaro. As
informações são da coluna Demétrio Vecchioli, do Metropoles.
Um desses empreendimento ficou pronto há menos de um
mês, com 21 apartamentos de luxo, e outros três estão em fase de
comercialização de 555 apartamentos e 70 unidades não residenciais. Mais dois
já foram anunciados, mas não foram lançados. Todos são impactados por bloqueios
judiciais impostos pela 3ª Vara de Falências de São Paulo aos bens do antigo
controlador do Banco Master, agora preso.
Os empreendimentos pertencem a cinco incorporadoras
que, pelo lado da Odebrecht, têm como sócia a Orion Empreendimentos (que herdou
o legado de ativos da antiga Odebrecht Realizações Imobiliárias) e, pelo lado
de Vorcaro, sociedades anônimas que têm como únicos sócios dois fundos de
investimentos atribuídos ao banqueiro pelo liquidante do Banco Master.
Esses fundos, segundo o liquidante, foram utilizados
como “instrumentos de aquisição e titularização formal de bens destinados ao
uso e benefício pessoal de Daniel Vorcaro“. Por isso, a 3ª Vara de Falências de
São Paulo determinou a averbação de pendência judicial da Magma Empreendimentos
e dos fundos Lunar e Quality Golden, entre outros bens do banqueiro. A medida é
cautelar e preparatória para futura ação revocatória, quando o liquidante
tentará recuperar ativos desviados do banco, e não foi contestada por
terceiros.
A Magma, que é sócia da Odebrecht em ao menos três
empreendimentos já lançados, tem como acionistas dois fundos de investimentos
em participações (FIP): exatamente o Quality Golden e o Lunar, que, por sua
vez, tinha como acionista, ao menos até outubro de 2024, o fundo Astralo 95,
que também era dono da cota sabidamente pertencente a Vorcaro na SAF do
Atlético-MG.
A OR (braço de incorporação imobiliária da
Odebrecht) disse que negociou os aportes em 2022 com empresas vinculadas a Augusto
Lima, então CEO do Banco Master, e que os acordos foram precedidos de
procedimentos de governança que não encontraram menção ao Banco Master ou
Vorcaro como possíveis beneficiários finais das investidoras à época. Augusto
Lima também foi preso pela Compliance Zero e atualmente usa tornozeleira
eletrônica.
A OR também afirma que, depois de saber pela
imprensa dos processos em curso contra as suas sócias, “adotou imediatamente as
medidas cabíveis para encerrar qualquer associação ou relacionamento com essas
empresas”. Até aqui, nenhuma mudança societária foi informada à Junta
Comercial.

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