sábado, 23 de maio de 2026

”O negócio tá ficando feio para o nosso lado”: Lula diz que Janja fez o alerta sobre o “estrago” da taxa das blusinhas

 


O presidente Lula revelou os bastidores da controversa taxação de compras internacionais de pequeno valor e jogou a responsabilidade sobre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Segundo ele, foi Haddad quem idealizou e defendeu a medida com convicção, pressionado pelos varejistas de São Paulo e do Rio de Janeiro.

A virada veio durante uma viagem à China. A bordo do avião, a primeira-dama Janja alertou o marido:

“O negócio tá ficando feio pro nosso lado.” Lula contou que Haddad, a princípio, não acreditou na gravidade da repercussão. Foram quase 20 horas de voo com a pressão nas redes crescendo até o ministro finalmente se dar conta de que havia um problema político real.

O presidente aproveitou para fazer uma defesa populista da isenção, questionando por que compras de 50 dólares dos mais pobres seriam tributadas enquanto viajantes ricos gastam até 2.000 dólares no exterior sem pagar imposto. Em reunião com Alckmin e Haddad, usou a própria Janja como argumento: “Haddad, a tua mulher compra! A Janja compra, a minha filha compra.”

A cena expõe uma dinâmica reveladora dentro do governo: uma política de alto impacto popular foi gestada sob pressão do lobby varejista sem avaliação adequada do custo político, e o presidente, em vez de assumir a decisão, escolheu publicamente apontar o dedo para o ministro.

 

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