O presidente Lula revelou
os bastidores da controversa taxação de compras internacionais de pequeno valor
e jogou a responsabilidade sobre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Segundo ele, foi Haddad quem idealizou e defendeu a medida com convicção,
pressionado pelos varejistas de São Paulo e do Rio de Janeiro.
A virada veio durante uma
viagem à China. A bordo do avião, a primeira-dama Janja alertou o marido:
“O negócio tá ficando feio
pro nosso lado.” Lula contou que Haddad, a princípio, não acreditou na
gravidade da repercussão. Foram quase 20 horas de voo com a pressão nas redes
crescendo até o ministro finalmente se dar conta de que havia um problema
político real.
O presidente aproveitou
para fazer uma defesa populista da isenção, questionando por que compras de 50
dólares dos mais pobres seriam tributadas enquanto viajantes ricos gastam até
2.000 dólares no exterior sem pagar imposto. Em reunião com Alckmin e Haddad,
usou a própria Janja como argumento: “Haddad, a tua mulher compra! A Janja
compra, a minha filha compra.”
A cena expõe uma dinâmica
reveladora dentro do governo: uma política de alto impacto popular foi gestada
sob pressão do lobby varejista sem avaliação adequada do custo político, e o
presidente, em vez de assumir a decisão, escolheu publicamente apontar o dedo
para o ministro.

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