O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
Floriano Marques, um dos principais aliados do ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF) Alexandre de Moraes, se reuniu nesta quarta-feira, 6, em um hotel
em Brasília com o advogado José Luís Oliveira Lima, o Juca, que defende o
banqueiro Daniel Vorcaro no inquérito sobre as fraudes bilionárias do Banco
Master. Um dos temas discutidos por eles foi a proposta de delação premiada
apresentada por Juca aos investigadores do caso.
Em conversa com o Estadão, Floriano admitiu ter se
encontrado com o advogado de Vorcaro, mas disse que não fez perguntas sobre a
delação premiada do banqueiro e que teria dito “puxa vida, que coisa”, quando
Juca disse ter entregue ontem a proposta de delação. “Ele comentou que está
morando aqui a semana inteira e que estava trabalhando nisso (delação de
Vorcaro), que aliás era público hoje”, afirmou.
O ministro disse que mora no mesmo hotel que fica no
centro da capital federal.
“Eu realmente confesso a você que não perguntei nada
sobre isso. Eu confesso a você que fui conversar com um amigo. Uma pessoa que
eu conheço há 20 anos. Amigo de longa data. Já trabalhamos juntos. Ele falou
que estava morando aqui, que ontem havia entregue a delação e eu obviamente
falei: ‘puxa vida, que coisa’. Mas eu realmente não tenho nenhum assunto a
tratar sobre isso, porque não tenho nada a ver com o Master”, disse.
Juca disse que se encontrou com o ministro após ter
ido à academia do hotel, que a conversa durou menos de cinco minutos e que é
uma “leviandade” achar que os dois trataram sobre a delação do dono do Master.
O encontro entre o ministro e o advogado ocorreu na
manhã após a defesa de Vorcaro finalizar os últimos ajustes na sua proposta de
delação premiada e entregar os chamados “anexos” do acordo. Cada anexo
corresponde a um assunto diferente, com a indicação de pessoas envolvidas nos
fatos e meios de prova. A reunião ocorreu no B Hotel e, conforme relato, os
dois deixaram o local separadamente e em momentos distintos.
Floriano Marques é um dos principais aliados de
Moraes no mundo jurídico. Ele chegou ao TSE em 2023 por indicação direta do
ministro, de quem é colega de trabalho na Faculdade de Direito da Universidade
de São Paulo (USP), ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem cabe
nomear os membros da Corte.
Em 2025, quando a ministra Cármen Lúcia impôs que
uma das vagas do tribunal eleitoral fosse ocupada por uma mulher, Moraes
escolheu manter Floriano no cargo em detrimento do seu outro indicado, André
Ramos Tavares.
Há a expectativa de que Vorcaro forneça detalhes à
Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre as relações
que mantinha com ministros do STF, especialmente Moraes pelo fato dos contatos
frequentes que tinha com o ministro e da contratação da sua esposa. A advogada
Viviane Barci de Moraes recebeu R$ 80 milhões do Master por 22 meses de
contratos, algo equivalente a mais de R$ 3,6 milhões por mês.
Como mostrou o Estadão, o montante pago pelo banco
era incompatível com valores praticados pelo mercado pelos mesmos serviços que
Viviane afirma ter prestado ao Master. Dados da Receita Federal demonstraram,
posteriormente, que o valor pago à esposa de Moraes era 10 vezes maior do que o
recebido por outros escritórios de advocacia que atuaram em defesa do Master.
Estadão

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