O Ministério da Educação entregou menos de
40% dos livros em braille previstos para estudantes cegos da rede pública em
2026. Segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, apenas
7.354 exemplares haviam chegado às escolas até esta quarta-feira (13), de um
total de 19.373 obras programadas para distribuição.
A previsão do órgão é concluir as entregas apenas em
junho, já no fim do primeiro semestre letivo.
Os materiais fazem parte do Programa Nacional do
Livro Didático (PNLD), responsável por fornecer obras adaptadas para alunos
cegos e surdo-cegos da educação pública.
Especialistas afirmam que a falta dos livros
compromete o aprendizado e a autonomia dos estudantes com deficiência visual,
já que o braille é considerado essencial para o desenvolvimento cognitivo e
para a realização de atividades fora da sala de aula.
O atraso já havia sido denunciado em fevereiro
pela Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia
Assistiva. Na época, o FNDE prometeu entregar 22,3 mil livros até março, mas o
número foi posteriormente reduzido para 19,3 mil após atualização cadastral.
A entidade afirma que o governo reagiu ao problema,
mas de forma tardia e insuficiente. Segundo a associação, muitos estudantes já
tiveram prejuízo pedagógico neste semestre devido à demora na distribuição.
O FNDE informou que a entrega ocorre de forma
escalonada e atribuiu parte do problema à necessidade de recomposição do quadro
de servidores. O órgão também destacou que não realizava concurso público havia
12 anos.
Representantes do setor afirmam que o principal
gargalo não está na capacidade técnica das gráficas, mas em falhas de gestão e
baixa prioridade dada à agenda de acessibilidade dentro do MEC.
Outro ponto levantado é a divergência nos números de
estudantes cegos no país. Enquanto o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística estima cerca de 45 mil cegos em idade escolar, o Censo Escolar
registrou pouco menos de 7 mil matrículas em 2025.
Segundo entidades da área, a diferença pode indicar
falhas no sistema de cadastramento ou exclusão de estudantes da rede de ensino.
A produção dos livros em braille exige etapas
técnicas que podem levar de cinco a oito meses, incluindo transcrição,
adaptação, revisão por especialistas cegos e avaliação técnica antes da
impressão final.
Entidades do setor alertam que, sem mudanças no
cronograma e na gestão do programa, os atrasos podem se repetir em 2027 e
transformar a crise em um problema permanente.
Com informações de g1

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