terça-feira, 26 de maio de 2026

Master: Entra e sai de advogados ligados a políticos na cela de Vorcaro irritou investigadores

 


A saída de José Luís de Oliveira Lima, o Juca, da defesa de Daniel Vorcaro, não foi o único efeito da rejeição de sua proposta de colaboração premiada. Os horários de visitas e a quantidade de pessoas autorizadas a falar com o dono do Banco Master na Superintendência da Polícia Federal (PF) no Distrito Federal ficaram bem mais restritos. O resultado é o fim do entra e sai da cela, que nas palavras de um investigador estava “descontrolado”, incluindo visitas de advogados sem ligação direta com a delação premiada, mas próximos lideranças do Centrão e da esquerda.

Segundo informações obtidas pela equipe da coluna, estavam na lista 14 advogados. Todos tinham procuração de Vorcaro, e portanto as visitas não eram irregulares. Só que a autorização para que eles entrassem e saíssem livremente foi dada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso, para dar ao ex-banqueiro condições de preparar a proposta de delação, e na na prática vários desses profissionais não tinham nada a ver com a negociação.

“Não é que fosse ilegal, mas era muita gente todo dia que não tinha nada a ver com a delação, e não se sabia exatamente de que causas estavam cuidando, o que estava fazendo ali”, diz um investigador.

Estavam na lista Engels Augusto Muniz, sócio do ex-chefe da Casa Civil do ex-governador do DF Ibaneis Rocha (MDB), Gustavo Rocha, que informou à equipe da coluna atuar em nome de Vorcaro em questões cíveis.

Junto com o escritório de Ibaneis, a banca de Muniz fechou um contrato para a venda de honorários de precatórios avaliados em R$ 38 milhões a um fundo ligado à Reag, gestora investigada pela PF por fazer parte no esquema de desvio de recursos do Master.

À época, a banca do ex-governador alegou que os honorários foram vendidos com deságio, e que os dois escritórios receberam R$ 10,3 milhões.

Também visitou Vorcaro na PF Ciro Soares, advogado ligado ao senador Otto Alencar (PSD-BA), que também alegou representar o dono do Master em processos cíveis e já foi alvo de reportagens sobre o uso dos jatos de uma empresa de Vorcaro que transportaram vários políticos. Segundo a Folha de S. Paulo, o senador voou três vezes nos jatos de Vorcaro entre março e junho de 2025, mas disse que não sabia de quem era o avião e que viajou a convite de Soares.

Já Marcos Meira, ligado ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e amigo íntimo de José Dirceu, diz defender o ex-banqueiro em “questões de direito administrativo, societário, patrimonial e no contencioso estratégico”.

Outro defensor na lista de Vorcaro é Marcelo Squassoni, ex-deputado-federal pelo Republicanos de São Paulo e aliado do presidente do partido, Marcos Pereira, que o nomeou secretário Nacional de Sustentabilidade da legenda.

Squassoni informou que tem procuração para atuar perante o liquidante do Master e disse que está trabalhando para organizar ativos que Vorcaro pretende entregar para a liquidação.

Desses, apenas Muniz e Squassoni vão continuar podendo visitar Vorcaro com a redução na lista de advogados a ser encaminhada para a PF, agora com cinco nomes. Além dos dois, permanecem Bruno Burili, Giuseppe Giamundo e Sergio Leonardo, que vai encabeçar uma nova tentativa de acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Em tese, a redução tem a ver com a restrição de horários que passou a valer depois da rejeição da proposta pela PF, quando Vorcaro foi encaminhado para uma cela comum e passou a ter que obedecer as regras dos outros presos: para familiares e visitas comuns, um tempo de meia hora duas vezes por semana, enquanto advogado tem direito a duas horas por dia todo dia, com limite para dois advogados por vez.

Depois de um pedido de Vorcaro reclamando do que classificava como más condições nas celas comuns da custódia da Polícia Federal, Mendonça o autorizou a voltar para a cela de Estado-Maior onde antes estava o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas ainda terá que obedecer às mesmas regras.

Malu Gaspar - O Globo

 

 

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