sexta-feira, 22 de maio de 2026

Love Hurts - Do amor à extorsão: Mulher presa no RN é suspeita de participar de grupo criminoso da Nigéria responsável por golpes de falso romance

 


Uma mulher, de 22 anos, foi presa no município de Ielmo Marinho, na Grande Natal, em um braço da Operação Love Hurts, que investiga crimes de extorsão, estelionato sentimental - que é o golpe do falso romance -, organização criminosa e lavagem de dinheiro por meio de criptoativos. A ação aconteceu nessa quinta-feira (21).

Segundo a Polícia Civil do RN, a mulher é suspeita por crimes de extorsão, lavagem de dinheiro e integração a organização criminosa. Ela seria integrante de um grupo criminoso de origem na Nigéria, responsável por esses golpes, conhecidos como "falso romance" e "sextorsão".

As diligências apontam que ela atuaria como “conteira”, sendo responsável pela movimentação e ocultação de valores obtidos de forma ilícita. Após a prisão, ela foi conduzida à delegacia para os procedimentos cabíveis e, em seguida, encaminhada ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.

Do afeto à extorsão

A Polícia Civil do Paraná acordou que o crime começou a ser praticado no ano de 2024. Por meio de plataformas de redes sociais e, posteriormente, de aplicativo de mensagens instantâneas, a vítima foi contatada por um perfil falso em nome de “David Green”. O crime utilizou fotos de terceiro — já mapeadas como recorrentes em golpes internacionais — e apresentadas-se falsamente como um médico oncologista em missão de paz de Otan na Síria.

Durante o processo de manipulação emocional, o autor prometeu casamento e conquistou a confiança da vítima, induzindo-a ao compartilhamento de fotos e vídeos íntimos. 

“Posteriormente, passei a solicitar valores sob diversos pretextos, incluindo supostas despesas com passagens aéreas, detenções e multas relacionadas ao transporte de nosso ouro na Áustria e no Brasil”, detalha Kelvin Bressan, delegado de polícia do Núcleo de Investigações Qualificadas da Divisão Policial do Interior da PCPR.

Após a demonstração de desconfiança e relatar dificuldades financeiras, o investigado passou a praticar extorsão na modalidade sextortion, ameaçando divulgar o material íntimo em redes sociais caso não recebesse novos pagamentos, exigindo uma quantia de R$ 20 mil. Ao todo, a vítima teve o prejuízo de mais de R$ 60 mil.

A investigação da PCPR compreende uma divisão estruturada de tarefas. O núcleo estrangeiro, de caráter operacional, utilizava terminal telefônico com DDI da Nigéria (+234). Este núcleo era responsável pela abordagem, sedução e posterior extorsão. 

“A nível nacional, o núcleo era voltado à lavagem de dinheiro, sendo composto por operadores financeiros responsáveis ​​por ceder contas bancárias para a coleta, ocultação e dissimulação dos valores ilícitos mediante conversão em criptoativos”, complementa o delegado.

A apuração de acordos que, em dois meses, foram movimentados quase R$ 4 milhões. Algumas das contas figuram como beneficiárias em múltiplos boletins de ocorrência registrados em diversos estados da federação. Os dados bancários permitem estimar ao menos 20 vítimas do mesmo esquema criminoso, localizadas em diversos Estados.  

 

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