Uma mulher, de 22 anos, foi presa no município de
Ielmo Marinho, na Grande Natal, em um braço da Operação Love Hurts, que
investiga crimes de extorsão, estelionato sentimental - que é o golpe do falso
romance -, organização criminosa e lavagem de dinheiro por meio de
criptoativos. A ação aconteceu nessa quinta-feira (21).
Segundo a Polícia Civil do RN, a mulher é suspeita
por crimes de extorsão, lavagem de dinheiro e integração a organização
criminosa. Ela seria integrante de um grupo criminoso de origem na Nigéria,
responsável por esses golpes, conhecidos como "falso romance" e
"sextorsão".
As diligências apontam que ela atuaria como
“conteira”, sendo responsável pela movimentação e ocultação de valores obtidos
de forma ilícita. Após a prisão, ela foi conduzida à delegacia para os
procedimentos cabíveis e, em seguida, encaminhada ao sistema prisional, onde
permanecerá à disposição da Justiça.
Do afeto à extorsão
A Polícia Civil do Paraná acordou que o crime
começou a ser praticado no ano de 2024. Por meio de plataformas de redes
sociais e, posteriormente, de aplicativo de mensagens instantâneas, a vítima
foi contatada por um perfil falso em nome de “David Green”. O crime utilizou
fotos de terceiro — já mapeadas como recorrentes em golpes internacionais — e
apresentadas-se falsamente como um médico oncologista em missão de paz de Otan
na Síria.
Durante o processo de manipulação emocional, o autor
prometeu casamento e conquistou a confiança da vítima, induzindo-a ao
compartilhamento de fotos e vídeos íntimos.
“Posteriormente, passei a solicitar valores sob
diversos pretextos, incluindo supostas despesas com passagens aéreas, detenções
e multas relacionadas ao transporte de nosso ouro na Áustria e no Brasil”,
detalha Kelvin Bressan, delegado de polícia do Núcleo de Investigações
Qualificadas da Divisão Policial do Interior da PCPR.
Após a demonstração de desconfiança e relatar
dificuldades financeiras, o investigado passou a praticar extorsão na
modalidade sextortion, ameaçando divulgar o material íntimo em redes sociais
caso não recebesse novos pagamentos, exigindo uma quantia de R$ 20 mil. Ao
todo, a vítima teve o prejuízo de mais de R$ 60 mil.
A investigação da PCPR compreende uma divisão
estruturada de tarefas. O núcleo estrangeiro, de caráter operacional, utilizava
terminal telefônico com DDI da Nigéria (+234). Este núcleo era responsável pela
abordagem, sedução e posterior extorsão.
“A nível nacional, o núcleo era voltado à lavagem de
dinheiro, sendo composto por operadores financeiros responsáveis por ceder
contas bancárias para a coleta, ocultação e dissimulação dos valores ilícitos
mediante conversão em criptoativos”, complementa o delegado.
A apuração de acordos que, em dois meses, foram
movimentados quase R$ 4 milhões. Algumas das contas figuram como beneficiárias
em múltiplos boletins de ocorrência registrados em diversos estados da
federação. Os dados bancários permitem estimar ao menos 20 vítimas do mesmo
esquema criminoso, localizadas em diversos Estados.

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