sábado, 23 de maio de 2026

Irmã de Deolane tentou sacar R$ 1 milhão em espécie, e Itaú viu sinal de lavagem de dinheiro, diz polícia

 


O Itaú mandou a família de Deolane Bezerra encerrar suas relações com a instituição financeira após barrar um saque de R$ 1 milhão em espécie por indícios de lavagem de dinheiro.

As informações constam do relatório final elaborado pela Polícia Civil de São Paulo no âmbito do inquérito que apura o elo entre Deolane e o PCC, o Primeiro Comando da Capital.

Com 22 milhões de seguidores no Instagram, a influenciadora foi presa nesta quinta-feira (21) numa operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo. Ela é suspeita de lavar dinheiro para a facção criminosa.

A defesa de Deolane sustenta que ela é inocente e declarou nesta sexta (22) que "os fatos serão devidamente esclarecidos em momento oportuno". Não comentou a polêmica entre ela e o Itaú em específico.

A defesa afirmou ainda ter entrado com um habeas corpus contra a prisão de sua cliente e disse ter solicitado regime domiciliar à influenciadora.

O caso envolvendo o Itaú ocorreu em 24 de novembro de 2023. Quem tentou sacar o valor foi a irmã de Deolane, Dayanne Bezerra, cuja defesa a reportagem não localizou. A Folha enviou mensagens a um número vinculado a ela, mas não obteve retorno.

Pelas redes sociais, Dayanne afirmou que "no momento meu foco é minha mãe e meus sobrinhos e tentar minimizar o impacto desse pesadelo na vida deles". Afirmou também que sua irmã é inocente e republicou postagens segundo as quais autoridades à frente das investigações cometeram abusos.

No caso do saque, ela argumentou ao Itaú que o valor seria utilizado para a aquisição de um imóvel. Mas o banco viu problemas nessa operação "pela desconfiança de se tratar de ato de lavagem de dinheiro", afirma a Polícia Civil.

A instituição financeira chegou a oferecer a modalidade de transferência eletrônica em vez do saque, alternativa recusada pelos Bezerra.

"Deste modo, o banco concedeu a Deolane e aos seus familiares o prazo de até 14 de janeiro para o encerramento das suas contas", diz o relatório da autoridade policial.

A influenciadora reagiu: processou o banco argumentando que a ordem para o fim das contas era irregular. Não há informações sobre o desfecho do processo.

A polícia considera o episódio um importante indício do esquema de lavagem de dinheiro de Deolane.

A investigação diz que a influenciadora atuava como uma espécie de caixa do crime organizado.

Ela teria recebido mais de R$ 1 milhão em repasses de uma transportadora considerada pivô do esquema de lavagem de dinheiro, segundo a polícia.

Deolane, segundo as investigações, chegou a abrir 35 empresas num mesmo endereço residencial. Os estabelecimentos, todos fictícios segundo as autoridades, criavam uma espécie de teia de movimentação financeira que dificultava a rastreabilidade dos recursos.

A operação que a levou à prisão também cumpriu mandados contra Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado há mais de duas décadas como o líder do PCC.

Marcola está preso numa penitenciária federal de segurança máxima em Brasília.

Sua defesa disse nesta sexta-feira que Marcola foi incluído no caso apenas pela menção ao apelido "Narigudo" escrito num bilhete encontrado na penitenciária 2 de Presidente Venceslau.

Afirmou também que ele foi indiciado de maneira indevida e que "inexiste qualquer elemento probatório consistente que vincule Marcos Willians Herbas Camacho aos fatos investigados".

O advogado Bruno Ferullo, que o defende, declarou ainda que "a inocência de seu cliente será devidamente demonstrada ao longo da persecução penal".

Parentes dele também foram alvo da polícia e do Ministério Público na quinta.

Pizzaria investigada por lavagem

A Chatubão, pizzaria localizada no distrito paulistano do Cambuci, também integrava o suposto esquema de lavagem de dinheiro do PCC, segundo a polícia. Conforme as investigações, 94% dos R$ 566 mil que o estabelecimento recebeu durante quatro anos são de origem não identificada.

"A situação envolvendo a Pizzaria Chatubão revela um cenário repleto de inconsistências que, quando analisadas conjuntamente, apontam para indícios de utilização da empresa como fachada e possível participação em fluxos de lavagem de capitais dentro da rede investigada", diz a Polícia Civil.

A lista de empresas ligadas ao investigado Everton de Sousa, que supostamente repassava recursos a Deolane por meio de intermediários, também inclui locadoras de veículos, serviços automotivos e outros segmentos que, de acordo com as investigações, eram utilizados "para fracionamento e dispersão de valores ou para conferir aparência de legalidade a operações pré-determinadas".

A Folha ligou na tarde desta sexta (22) para o advogado José Albino Neto, que defende Sousa, mas não foi atendida.

Folha de São Paulo

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Caiado surge como opção de "terceira via" da direita e anima mercado financeiro

  O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ganha tração como possível candidato de uma "terceira via" para as eleições de 2026. A...