Quem fala demais dá bom dia a cavalo. E como eu já
dei muito bom dia a muito cavalo nessa vida, aprendi a reconhecer um tropel
quando ele vem vindo ao longe.
Por isso resolvi escrever algumas linhas diante da
confusão política que começa novamente a tomar conta do campo da direita
brasileira. E, principalmente, diante da proliferação dos inteligentinhos.
Não estou falando dos pôneis do MBL — esses já nem
entram mais na categoria “direita”, viraram uma espécie de startup de lacração
gourmetizada para Faria Limers que sonham em parecer suecos enquanto vivem no
Bostil. Não. Estou falando agora dos inteligentinhos da direita cheirosa, os
estrategistas de PowerPoint da Faria Lima, que enxergam no NOVO e em Romeu Zema
a grande esperança iluminada de um “pós-bolsonarismo”.
Essa turma sofre de uma doença recorrente: acredita
que Twitter, colunas de jornal e brunch em Pinheiros equivalem a povo.
Mas vale recapitular alguns fatos históricos para
ajudar os inteligentinhos que faltaram às aulas da vida real.
O Brasil vive hoje uma polarização política clara
entre duas visões antagônicas de mundo. A direita de um lado. A esquerda do
outro. Simples assim. Só que, periodicamente, aparece um iluminado achando que
pode “superar a polarização” — normalmente embalado por manchetes favoráveis,
aplausos da elite financeira e alguns tapinhas nas costas da imprensa.
Foi assim com Sergio Moro.
Embalado pela fama da Lava Jato, acreditou que
poderia construir um movimento político próprio contra Bolsonaro e o
bolsonarismo. Resultado? Quase um exílio político. Só não virou peça de museu
porque foi resgatado justamente pelo mesmo bolsonarismo que tentou destruir.
Depois veio Kassab tentando montar sua Liga da
Justiça dos Inteligentinhos. Reuniu Tarcísio, Ratinho, Caiado e outros nomes
num jantar aqui, outro movimento ali, todos seduzidos pela ideia de um
“Bolsonaro sem Bolsonaro”. Parecia genial nos editoriais. Durou menos que
promoção de colchão.
Agora surge o inteligentinho da vez: Romeu Zema.
Mal percebeu um tropeço de Flávio Bolsonaro —
justamente o filho que durante anos foi tratado como o mais “fraco” politicamente
— e já puxou o punhal. Foi rápido. Quase automático. Um “zap” nas costas, no
melhor estilo política de condomínio gourmet.
Agora tenta recuar, dizer que “é página virada”,
mudar de assunto, fazer cara de moderado responsável. Mas há um pequeno detalhe
que os inteligentinhos nunca entendem: militância não esquece traição.
E pior: ele mesmo resolveu comprar briga com os
“intocáveis” — expressão usada pelo próprio Zema. Boa sorte enfrentando STF,
sistema político, imprensa hostil e ainda sem apoio orgânico da base
bolsonarista. É uma estratégia brilhante, comparável a enfrentar um tanque
armado montado num patinete elétrico.
O problema central é que os inteligentinhos
continuam sem entender a natureza do jogo.
Lula versus Bolsonaro não é uma discussão acadêmica
para mesa-redonda da GloboNews. É um conflito político, emocional, identitário
e popular profundamente enraizado no país real.
Nos rincões mais distantes do Brasil profundo,
ninguém sabe quem é Zema. Zulema. Seriema. Seja lá qual for o nome do novo
“gestor técnico” ungido pela Faria Lima da semana.
E aqui mora a pergunta que realmente importa:
Se o eleitor da esquerda continua votando até no
maior escândalo de corrupção da história brasileira apenas para derrotar seu
antagonista político… por qual razão o eleitor da direita abandonaria
justamente quem possui maior densidade popular para enfrentar a esquerda?
O eleitor inteligente entende isso.
O inteligentinho acha que eleição se vence com
artigo no Estadão, podcast de mercado e networking em evento de fintech.
Na briga entre a rocha e o mar, quem sempre sofre é
o caranguejo.
Dessa vez, o caranguejo atende pelo nome de Zema.
E os inteligentinhos seguem sem aprender nada com a
história.
O texto é do empresário Gustavo Rocha

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