sexta-feira, 29 de maio de 2026

Governo federal também é culpado pela expansão de facções, afirma maior especialista em facções criminosas do Brasil

 


Para o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), a expansão das facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) nas últimas décadas é resultado da omissão dos governos estaduais e também do governo federal. A notícia é do Metrópoles. 

Gakiya, para quem não conhece, é um dos maiores especialistas em segurança pública e facção criminosa do Brasil. Está há décadas investigando e prendendo nomes ligados ao PCC. A segurança pública, diz ele, é responsabilidade do Estado Brasileiro como um todo, e não apenas dos governos estaduais.

Nesta quinta-feira (28), o PCC e o Comando Vermelho foram designados como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos, liderado pelo republicano Donald Trump. A designação ocorreu após pedido do pré-candidato do PL à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro.

“O estado federal brasileiro (a União) e os estados federados são responsáveis por esse crescimento, porque não agiram da maneira e no tempo que isso deveria ser feito”, disse Lincoln Gakiya em entrevista à coluna.

“Muito mais que cooperação internacional, a gente precisa ter cooperação interna. Trabalhos conjuntos e integrados entre as forças federais e estaduais”, diz ele.

“Permitimos que as facções saíssem de seus estados, Rio de Janeiro (CV) e São Paulo (PCC) e tomassem conta do Brasil, e se expandissem internacionalmente. Hoje já são um problema em 28 países. Não é do dia pra noite que vamos resolver”

Para Gakiya, dizer que a segurança pública é atribuição dos governos estaduais é uma “meia verdade”.

“A segurança pública é dever do Estado como um todo. Sendo um dever do Estado, o governo federal tem responsabilidade na coordenação das ações e no repasse de recursos”, diz ele.

“Os governos estaduais, por sua vez, falharam ao permitir que as facções expandissem seus tentáculos para além de suas fronteiras. O governo federal não tomou as providências adequadas na época e, hoje, o fenômeno se tornou um problema internacional”, diz Gakiya.

“Quem paga por isso é a população — estima-se que 30% da população brasileira viva hoje sob o jugo de facções criminosas”, diz ele.

Gakiya dedicou-se nos últimos 20 anos a investigar e denunciar criminosos do Primeiro Comando da Capital (PCC). Por conta de seu trabalho, já foi alvo de diversas ameaças de morte do grupo e vive sob pesado esquema de segurança. É considerado um dos maiores especialistas no funcionamento da facção paulista.

 

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