O Rio Grande do Norte encerrou março de 2026 com
54.998 pedidos de benefícios aguardando análise no Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS). Os dados constam no boletim Transparência Previdenciária e
mostram aumento de 9,3% na fila em relação ao mesmo período do ano passado,
quando o Estado registrava 50.300 requerimentos pendentes.
Entre os benefícios com maior volume de espera no
RN, estão os pedidos por incapacidade, que somam 22.407 solicitações pendentes.
Na sequência, aparecem os benefícios assistenciais e de legislação específica,
com 21.457 requerimentos aguardando decisão.
O levantamento também aponta que, do total de
pedidos em tramitação, 57% (31.335) ultrapassam o prazo de 45 dias — que é o
tempo máximo previsto para conclusão das análises.
Além da fila geral, o INSS informa à parte que há 21
mil pedidos de Benefício de Prestação Continuada (BPC), entre idosos e pessoas
com deficiência. O BPC não entra na conta dos outros benefícios.
Em todo o País, de acordo com a Transparência
Previdenciária, a fila é de quase 2,8 milhões de pedidos em tramitação, sendo
que 53% ultrapassam o prazo de 45 dias. O número representa um aumento de 3,1%
em relação a março do ano passado, quando havia 2,7 milhões de pedidos na fila.
Além disso, o INSS informa que há 783 mil pedidos de
BPC.
O crescimento da fila ocorre em meio às dificuldades
enfrentadas pelo instituto para recompor o quadro de servidores e dar vazão ao
aumento da demanda previdenciária e assistencial. Nos últimos anos, o Governo
Federal e o próprio INSS adotaram medidas emergenciais para tentar reduzir o
estoque de processos, como mutirões, bônus por produtividade e ampliação das
análises digitais.
Apesar disso, representantes dos trabalhadores do
setor afirmam que as ações têm efeito limitado diante da redução do número de
servidores ao longo da última década. Segundo o diretor de comunicação do
Sindicato dos Trabalhadores Federais em Previdência, Saúde e Trabalho do Rio
Grande do Norte (Sindprevs-RN), Ary Peter, o instituto perdeu mais da metade da
força de trabalho desde 2015.
“De 2015 para cá, nós perdemos mais de 50% da nossa
força de trabalho. Houve poucos concursos e nunca uma grande entrada de
servidores. É uma conta que não fecha”, afirmou.
Segundo ele, o aumento da demanda por
aposentadorias, pensões, benefícios assistenciais e auxílios por incapacidade
ocorreu simultaneamente à redução do quadro funcional do instituto. “São
aposentadorias, pensões, benefícios por incapacidade e demandas assistenciais
que aumentam ano após ano. Ao mesmo tempo, faltam pessoas para analisar esses
pedidos”, declarou.
O dirigente sindical também citou problemas
estruturais e tecnológicos enfrentados nas unidades do órgão, como equipamentos
antigos e instabilidade nos sistemas utilizados pelos servidores. “Os
computadores são muito antigos e os sistemas oscilam muito. Isso também gera
demora”, afirmou.
Para o sindicato, as medidas adotadas pelo governo
ajudam momentaneamente a reduzir parte do estoque de processos, mas não
solucionam o problema estrutural da falta de pessoal. “São medidas paliativas.
Resolvem uma parte da fila naquele momento, mas não atacam a raiz da questão”,
avaliou Ary Peter.
Governo espera zerar fila
Em entrevista nesta semana ao programa Bom Dia
Ministro, da EBC, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, afirmou que
o governo aposta em mutirões para reduzir a fila. “Nós fizemos 14 mil
atendimentos de mutirões em 2024. Em 2025, foram 178 mil atendimentos em
mutirão. Em 2026, até abril, já foram 151 mil. Ou seja, nós vamos passar de 350
mil atendimentos em mutirão em 2026”, afirmou Wolney.
Ele destacou que, nos últimos meses, em razão do
trabalho realizado, a fila tem caído. Citou que, em janeiro deste ano, havia
mais de 3 milhões de pedidos pendentes, número que caiu para os atuais 2,8
milhões. “Tem sido um ritmo acelerado. Nós estamos agindo com força total, e o
nosso objetivo é que a gente consiga, pelos números que a gente tem encontrado,
zerar essa fila e entregar esse presente para o povo brasileiro”, declarou.
O ministro também trouxe dados que reforçam o
tamanho do desafio de zerar a fila do INSS. “É importante que as pessoas saibam
que entram, em média, 1 milhão e 300 mil novos pedidos por mês. É uma coisa
gigantesca você imaginar que num determinado setor do governo, que é o INSS, 1
milhão e 300 mil pessoas ou requerimentos são ingressados a cada mês. Se não
tiver fila nenhuma, se tiver tudo zerado, já tem 1 milhão e 300 mil para você
processar por mês”, lembrou Wolney Queiroz.
Dentro da estratégia para reduzir as pendências, o
ministro falou também que o governo contratou 500 novos peritos nos últimos
meses e citou investimento em telemedicina, de modo que um mesmo perito pode
atender beneficiários de vários estados. “Em 2023, foram 5 milhões e 200 mil
benefícios concedidos no ano todo. Em 2025, foram 7 milhões e 600 mil: 2
milhões e 400 mil benefícios a mais. São números superlativos, gigantescos”,
detalhou Wolney Queiroz.
“Como a gente não tem perito para colocar em todas
as cidades, o que é que a gente faz? A gente põe nas agências do INSS salas de
perícia para fazer a perícia por telemedicina”, explicou.
Outra política citada pelo ministro é o PREVBarco,
cujo objetivo é levar atendimento previdenciário às populações ribeirinhas e a
comunidades isoladas da região Norte do País. Em junho, está prevista uma nova
inauguração, do PREVBarco do estado do Pará.
Fila do INSS no RN
Aposentadorias
Até
45 dias: 3.240
Mais de 45 dias: 1.863
Assistenciais e BLE
Até
45 dias: 5.881
Mais de 45 dias: 15.576
Benefício por incapacidade
Até
45 dias: 10.082
Mais de 45 dias: 12.325
Maternidade
Até 45 dias: 3.05
Mais de 45 dias: 512
Pensões e reclusão
Até
45 dias: 1.401
Mais de 45 dias: 1.059
BPC
Até 45 dias: 20.339
Mais de 45 dias: 1.084

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