Como ex-secretário de Saúde,
tenho total tranquilidade em responder qualquer questionamento referente ao
período em que estive à frente da pasta, até o dia 08/04/2026.
Primeiro, é importante deixar
claro que não houve “caos” na saúde durante nossa gestão. O hospital funcionava
normalmente, os atendimentos aconteciam diariamente, especialidades eram
ofertadas mensalmente, curativos continuavam sendo realizados e a população
seguia assistida.
Inclusive, Campestre alcançou,
pela primeira vez na história, indicadores de saúde classificados como “ÓTIMO”,
algo nunca atingido anteriormente. Além disso, superamos mais de 69 mil
atendimentos na Atenção Básica em apenas um ano, enquanto nos dois anos
anteriores foram aproximadamente 29 mil atendimentos por ano.
Também realizamos aquisições
históricas de equipamentos de suporte à vida, que antes o município nunca teve
acesso, como bombas de infusão, DEA, cardioversor, ECG de última geração,
monitores multiparamétricos e ventiladores mecânicos. Quem precisou desses
equipamentos em momentos de urgência sabe a diferença que eles fizeram para
salvar vidas.
Somente em procedimentos ambulatoriais, atendemos:
Janeiro: 11.859
Fevereiro: 10.978
Março: 14.053
Totalizando 36.890
procedimentos realizados nesse período, com um investimento médio superior a R$
358.850,01.
Sobre a frota de veículos,
dizer que “não tinha carro” não corresponde à realidade. Foram realizadas 1.127
viagens agendadas, atendendo 4.544 pacientes apenas nesse período. Os veículos
trabalham diariamente, muitas vezes fazendo duas viagens por dia para Natal e
outras referências. Como qualquer equipamento que funciona intensamente,
veículos também precisam de manutenção por que eles quebram como qualquer coisa
mecanica com grande uso quebra. Aproveito para reconhecer o esforço dos
motoristas da saúde, que enfrentam diariamente uma rotina difícil para garantir
o atendimento da população por um salario minimo.
Quanto às emendas
parlamentares, toda documentação e controle financeiro estão devidamente
registrados na Secretaria de Finanças e disponíveis nos portais de
transparência, acessíveis a qualquer cidadão que deseje acompanhar de forma
responsável.
Sobre a falta de insumos, é
importante esclarecer que essa é uma dificuldade enfrentada por muitos
municípios. Fornecedores só realizam entregas mediante pagamento, e o município
ainda sofreu descontos no FPM devido a dívidas antigas herdadas de gestões
passadas.
A população também precisa
entender uma realidade: a saúde municipal recebe apenas 15% do repasse
total, valor insuficiente para manter toda a estrutura funcionando sem
complementação do município.
Hoje, por exemplo:
Uma consulta SUS custa em média
R$ 10,00;
O Hospital de Campestre custa
aproximadamente R$ 600 mil por mês;
O repasse recebido para o
hospital gira em torno de apenas R$ 29 mil.
Então eu pergunto: a conta
fecha?
Os repasses FUS (15%) recebidos pelo município foram:
Janeiro: R$ 480.613,24
Fevereiro: R$ 556.864,93
Março: R$ 397.036,53
esses valores estão todos no
portal de recursos so olhar
Enquanto isso, somente a folha
de pagamento mensal ultrapassa R$ 569.690,30, sem contar INSS e demais
encargos.
Programas como eMULT, CAPS, ESF
e ACS também possuem recursos insuficientes, o que entra não da pra custear
para manutenção completa. Sem complementação do município e sem emendas, não
existe saúde pública funcionando adequadamente.
Também foi muito comentada a
questão da medicação. Porém, pergunto de forma responsável: R$ 8 mil seriam
suficientes para abastecer medicamentos para uma população de 12 mil
habitantes? Isso representa cerca de R$ 0,66 por pessoa. Ainda assim, o
município investia entre R$ 80 mil e R$ 100 mil para tentar suprir a necessidade
da população.
Além disso, os custos mensais da saúde com fornecedores
ultrapassam R$ 200-300 mil com:
prontuário eletrônico;
transportes;
material de limpeza;
expediente;
manutenção de equipamentos;
manutenção da frota;
insumos;
medicamentos injetáveis;
alimentação hospitalar, entre
outros.
E mesmo assim:
Em janeiro sobraram apenas R$
90 mil;
Em fevereiro apenas R$ 43 mil;
Em março não sobrou saldo. Desse
jeito com uma media de 200-300 mil pra pagar mensal, se não pagar por completo
chega a 1 milhão fácil.
Então antes de falar em “rombo”
ou espalhar informações sem conhecimento técnico, é importante procurar
entender como realmente funciona a saúde pública municipal.
Críticas são legítimas, mas
precisam ser feitas com responsabilidade, verdade e respeito. Estou sempre à
disposição para dialogar, explicar e apresentar dados reais à população –
Raylan Brayan (Ex-secretário de Saúde de São José do Campestre).

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