quinta-feira, 14 de maio de 2026

CAMPESTRENSE: Ex-secretário de Saúde Raylan Brayan, responde questionamentos referente ao período em que esteve à frente da Pasta, até o dia da sua exoneração 08 de abril de 2026

 


Como ex-secretário de Saúde, tenho total tranquilidade em responder qualquer questionamento referente ao período em que estive à frente da pasta, até o dia 08/04/2026.

Primeiro, é importante deixar claro que não houve “caos” na saúde durante nossa gestão. O hospital funcionava normalmente, os atendimentos aconteciam diariamente, especialidades eram ofertadas mensalmente, curativos continuavam sendo realizados e a população seguia assistida.

Inclusive, Campestre alcançou, pela primeira vez na história, indicadores de saúde classificados como “ÓTIMO”, algo nunca atingido anteriormente. Além disso, superamos mais de 69 mil atendimentos na Atenção Básica em apenas um ano, enquanto nos dois anos anteriores foram aproximadamente 29 mil atendimentos por ano.

Também realizamos aquisições históricas de equipamentos de suporte à vida, que antes o município nunca teve acesso, como bombas de infusão, DEA, cardioversor, ECG de última geração, monitores multiparamétricos e ventiladores mecânicos. Quem precisou desses equipamentos em momentos de urgência sabe a diferença que eles fizeram para salvar vidas.

Somente em procedimentos ambulatoriais, atendemos:

Janeiro: 11.859

Fevereiro: 10.978

Março: 14.053

Totalizando 36.890 procedimentos realizados nesse período, com um investimento médio superior a R$ 358.850,01.

Sobre a frota de veículos, dizer que “não tinha carro” não corresponde à realidade. Foram realizadas 1.127 viagens agendadas, atendendo 4.544 pacientes apenas nesse período. Os veículos trabalham diariamente, muitas vezes fazendo duas viagens por dia para Natal e outras referências. Como qualquer equipamento que funciona intensamente, veículos também precisam de manutenção por que eles quebram como qualquer coisa mecanica com grande uso quebra. Aproveito para reconhecer o esforço dos motoristas da saúde, que enfrentam diariamente uma rotina difícil para garantir o atendimento da população por um salario minimo.

Quanto às emendas parlamentares, toda documentação e controle financeiro estão devidamente registrados na Secretaria de Finanças e disponíveis nos portais de transparência, acessíveis a qualquer cidadão que deseje acompanhar de forma responsável.

Sobre a falta de insumos, é importante esclarecer que essa é uma dificuldade enfrentada por muitos municípios. Fornecedores só realizam entregas mediante pagamento, e o município ainda sofreu descontos no FPM devido a dívidas antigas herdadas de gestões passadas.

A população também precisa entender uma realidade: a saúde municipal recebe apenas  15% do repasse total, valor insuficiente para manter toda a estrutura funcionando sem complementação do município.

Hoje, por exemplo:

Uma consulta SUS custa em média R$ 10,00;

O Hospital de Campestre custa aproximadamente R$ 600 mil por mês;

O repasse recebido para o hospital gira em torno de apenas R$ 29 mil.

Então eu pergunto: a conta fecha?

Os repasses FUS (15%) recebidos pelo município foram:

Janeiro: R$ 480.613,24

Fevereiro: R$ 556.864,93

Março: R$ 397.036,53

esses valores estão todos no portal de recursos so olhar 

Enquanto isso, somente a folha de pagamento mensal ultrapassa R$ 569.690,30, sem contar INSS e demais encargos.

Programas como eMULT, CAPS, ESF e ACS também possuem recursos insuficientes, o que entra não da pra custear para manutenção completa. Sem complementação do município e sem emendas, não existe saúde pública funcionando adequadamente.

Também foi muito comentada a questão da medicação. Porém, pergunto de forma responsável: R$ 8 mil seriam suficientes para abastecer medicamentos para uma população de 12 mil habitantes? Isso representa cerca de R$ 0,66 por pessoa. Ainda assim, o município investia entre R$ 80 mil e R$ 100 mil para tentar suprir a necessidade da população.

Além disso, os custos mensais da saúde com fornecedores ultrapassam R$ 200-300 mil com:

prontuário eletrônico;

transportes;

material de limpeza;

expediente;

manutenção de equipamentos;

manutenção da frota;

insumos;

medicamentos injetáveis;

alimentação hospitalar, entre outros.

E mesmo assim:

Em janeiro sobraram apenas R$ 90 mil;

Em fevereiro apenas R$ 43 mil;

Em março não sobrou saldo. Desse jeito com uma media de 200-300 mil pra pagar mensal, se não pagar por completo chega a 1 milhão fácil.

Então antes de falar em “rombo” ou espalhar informações sem conhecimento técnico, é importante procurar entender como realmente funciona a saúde pública municipal.

Críticas são legítimas, mas precisam ser feitas com responsabilidade, verdade e respeito. Estou sempre à disposição para dialogar, explicar e apresentar dados reais à população – Raylan Brayan (Ex-secretário de Saúde de São José do Campestre).

 

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