Uma operação do Ministério Público de São Paulo e da
Polícia Civil de São Paulo prendeu, na manhã desta quinta-feira 21, a
influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra durante investigação sobre
lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). As informações
são do G1.
A ação faz parte da Operação Vérnix, que também teve
mandado de prisão expedido contra Marco Herbas Camacho, apontado como chefe da
facção criminosa e atualmente preso. Além dele, parentes e pessoas ligadas à
organização também são alvo da investigação.
Entre os presos está Everton de Souza, identificado
pela investigação como operador financeiro do grupo criminoso.
Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, a
investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma
transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, apontada como
controlada pela cúpula do PCC.
Ao todo, a Justiça expediu seis mandados de prisão
preventiva, além de ordens de busca e apreensão. Também foram determinados
bloqueios de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros e o sequestro de 39
veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões.
Os agentes cumpriram mandados na residência de
Deolane, em Barueri, e em outros endereços ligados à influenciadora. O
influenciador digital Giliard Vidal dos Santos, apontado como filho de criação
de Deolane, e um contador também foram alvos de busca e apreensão.
De acordo com a investigação, Deolane passou as
últimas semanas em Roma, na Itália. O nome dela chegou a ser incluído na lista
da Difusão Vermelha da Interpol, mas ela retornou ao Brasil na quarta-feira
(20).
Investigação começou em 2019
Segundo os investigadores, a apuração teve início em
2019 após a apreensão de bilhetes e manuscritos com presos da Penitenciária II
de Presidente Venceslau.
O material deu origem a três inquéritos policiais
que identificaram ordens internas da facção, movimentações financeiras e supostos
esquemas de lavagem de dinheiro ligados à organização criminosa.
A investigação aponta que valores provenientes da
empresa Lopes Lemos Transportes eram destinados a Marcola, ao irmão dele,
Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, e a familiares.
Segundo a polícia, as contas de Everton de Souza e
Deolane Bezerra eram utilizadas nas movimentações financeiras investigadas.
Os investigadores afirmam que Deolane mantinha
vínculos pessoais e comerciais com um dos chamados gestores fantasmas da
transportadora.
A apuração também identificou circulação de valores
milionários, aquisição de bens de alto padrão e movimentações consideradas
incompatíveis com a renda declarada.
Entre 2018 e 2021, segundo a investigação, Deolane
recebeu R$ 1.067.505,00 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, prática
conhecida como “smurfing”.
Além disso, quase 50 depósitos realizados em contas
de empresas ligadas à influenciadora somaram R$ 716 mil, conforme a
investigação.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em nome
de Deolane Bezerra, valor que, segundo os investigadores, possui indícios de
lavagem de dinheiro.
Justiça apontou risco de fuga
Ao decretar as prisões, a Justiça de São Paulo
considerou haver indícios de autoria, movimentações financeiras suspeitas e risco
de destruição de provas.
A decisão também cita possibilidade de fuga e
ocultação de patrimônio, principalmente porque parte dos investigados estaria
no exterior.
Segundo a investigação, Paloma Sanches Herbas
Camacho, sobrinha do chefe do PCC, estaria na Espanha, enquanto Leonardo
Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola, estaria na Bolívia.

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