sábado, 23 de maio de 2026

Adutora do Seridó só deve sair em 2027, mesmo com crise hídrica

 


O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) trabalha com a previsão de concluir a Adutora do Seridó, uma das principais obras de segurança hídrica propostas para o interior do Rio Grande do Norte, apenas em 2027. Antes disso, porém, uma etapa considerada estratégica deve ser entregue no fim do segundo semestre deste ano: o chamado Trecho Norte, que vai garantir o abastecimento inicial para municípios como Currais Novos, Acari e Cruzeta.

Os prazos foram confirmados pelo ministro Waldez Góes durante agenda no município de Currais Novos, nesta semana, como parte da viagem ao Nordeste para acompanhar obras do chamado “Caminho das Águas” nos estados da Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. No estado, a visita incluiu o túnel Major Sales, na cidade de Luiz Gomes, e as obras da Adutora do Agreste, às margens da RN-269, entre os municípios de Passa e Fica e Nova Cruz. Sobre a Adutora do Seridó, a visita ocorreu na semana anterior.

Com investimento total estimado em R$ 326,5 milhões, a Adutora do Seridó foi iniciada em 2022 e atualmente está com cerca de 51% de execução física. O sistema contempla aproximadamente 330 quilômetros de adutoras, além de estações elevatórias e estruturas de tratamento de água, divididas entre os setores Norte e Sul. A visita contou com a presença de uma extensa comitiva.

O superintendente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) no Rio Grande do Norte, Leon Aguiar, detalhou o processo de execução da obra e falou sobre a expectativa de solucionar o problema da falta de água em diversas cidades do interior do Nordeste, não apenas no Rio Grande do Norte. “O projeto é muito grande e foi dividido em dois setores, o Norte e o Sul. O trecho Norte é o que está sendo executado atualmente, com recursos do PAC, numa obra de aproximadamente R$ 300 milhões. Com tudo pronto, no próximo ano, teremos o fim da falta de água na região, já que toda uma estrutura foi pensada para acabar com esse cenário”, explicou.

A estrutura em execução capta água na Barragem de Oiticica, em Jucurutu, e segue por municípios como Florânia e São Vicente até chegar a Currais Novos. A partir daí, haverá integração com a adutora já existente que atende Currais Novos e também segue para Acari. Outro braço da obra faz derivação para Cruzeta.

Aguiar explicou ainda que parte do trecho voltado para a Serra de Santana, contemplando cidades como Lagoa Nova, Cerro Corá e Bodó, ainda não foi licitada por causa da complexidade técnica e da necessidade de novos recursos federais. Esse segmento, identificado como trecho 3N, deverá ser incluído em uma futura etapa do Novo PAC, juntamente com o chamado trecho Sul da Adutora do Seridó, que atenderá municípios da região de Caicó e cidades vizinhas.

Para a entrega do Setor Norte da adutora, a fase de testes deve começar em agosto. Os procedimentos vão abranger toda a linha de captação, desde a Barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, em Assú, até as estações elevatórias responsáveis pelo bombeamento da água.

A previsão inicial apontava conclusão ainda em março deste ano, mas o cronograma precisou ser readequado após uma deflação identificada durante a execução contratual. Houve negociações entre a Codevasf e a empresa responsável pela obra para garantir a continuidade dos serviços, após análise técnica de relatórios e subsídios financeiros.

Cenário atual
A chegada da água da transposição ao Seridó é vista como fundamental, principalmente para enfrentar os períodos mais críticos de estiagem, historicamente registrados entre os meses de outubro e dezembro. Em Currais Novos, por exemplo, a insegurança hídrica costuma aumentar justamente no fim do ano, período em que os reservatórios sofrem redução significativa de volume.

De acordo com o último balanço dos reservatórios divulgado no início da semana pelo Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte (Igarn), dez reservatórios seguem em situação crítica, quando o manancial está com menos de 10% da capacidade. Entre eles estão o açude Itans, em Caicó, com apenas 0,74%, e Passagem das Traíras, em São José do Seridó, que acumula somente 0,14% da capacidade total.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Fim da escala 6x1 vira redução de duas horas de trabalho para base do Governo Lula

  A apresentação do relatório final da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do fim da escala 6x1, de relatoria do deputado Léo Prates (Re...