O Ministério da Integração e do Desenvolvimento
Regional (MIDR) trabalha com a previsão de concluir a Adutora do Seridó, uma
das principais obras de segurança hídrica propostas para o interior do Rio
Grande do Norte, apenas em 2027. Antes disso, porém, uma etapa considerada
estratégica deve ser entregue no fim do segundo semestre deste ano: o chamado
Trecho Norte, que vai garantir o abastecimento inicial para municípios como
Currais Novos, Acari e Cruzeta.
Os prazos foram confirmados pelo ministro Waldez Góes durante agenda no
município de Currais Novos, nesta semana, como parte da viagem ao Nordeste para
acompanhar obras do chamado “Caminho das Águas” nos estados da Paraíba, Ceará e
Rio Grande do Norte. No estado, a visita incluiu o túnel Major Sales, na cidade
de Luiz Gomes, e as obras da Adutora do Agreste, às margens da RN-269, entre os
municípios de Passa e Fica e Nova Cruz. Sobre a Adutora do Seridó, a visita
ocorreu na semana anterior.
Com investimento total estimado em R$ 326,5 milhões, a Adutora do Seridó foi
iniciada em 2022 e atualmente está com cerca de 51% de execução física. O
sistema contempla aproximadamente 330 quilômetros de adutoras, além de estações
elevatórias e estruturas de tratamento de água, divididas entre os setores
Norte e Sul. A visita contou com a presença de uma extensa comitiva.
O superintendente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e
do Parnaíba (Codevasf) no Rio Grande do Norte, Leon Aguiar, detalhou o processo
de execução da obra e falou sobre a expectativa de solucionar o problema da
falta de água em diversas cidades do interior do Nordeste, não apenas no Rio
Grande do Norte. “O projeto é muito grande e foi dividido em dois setores, o
Norte e o Sul. O trecho Norte é o que está sendo executado atualmente, com
recursos do PAC, numa obra de aproximadamente R$ 300 milhões. Com tudo pronto,
no próximo ano, teremos o fim da falta de água na região, já que toda uma
estrutura foi pensada para acabar com esse cenário”, explicou.
A estrutura em execução capta água na Barragem de Oiticica, em Jucurutu, e
segue por municípios como Florânia e São Vicente até chegar a Currais Novos. A
partir daí, haverá integração com a adutora já existente que atende Currais
Novos e também segue para Acari. Outro braço da obra faz derivação para
Cruzeta.
Aguiar explicou ainda que parte do trecho voltado para a Serra de Santana,
contemplando cidades como Lagoa Nova, Cerro Corá e Bodó, ainda não foi licitada
por causa da complexidade técnica e da necessidade de novos recursos federais.
Esse segmento, identificado como trecho 3N, deverá ser incluído em uma futura
etapa do Novo PAC, juntamente com o chamado trecho Sul da Adutora do Seridó,
que atenderá municípios da região de Caicó e cidades vizinhas.
Para a entrega do Setor Norte da adutora, a fase de testes deve começar em
agosto. Os procedimentos vão abranger toda a linha de captação, desde a
Barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, em Assú, até as estações
elevatórias responsáveis pelo bombeamento da água.
A previsão inicial apontava conclusão ainda em março deste ano, mas o
cronograma precisou ser readequado após uma deflação identificada durante a
execução contratual. Houve negociações entre a Codevasf e a empresa responsável
pela obra para garantir a continuidade dos serviços, após análise técnica de
relatórios e subsídios financeiros.
Cenário atual
A
chegada da água da transposição ao Seridó é vista como fundamental,
principalmente para enfrentar os períodos mais críticos de estiagem,
historicamente registrados entre os meses de outubro e dezembro. Em Currais
Novos, por exemplo, a insegurança hídrica costuma aumentar justamente no fim do
ano, período em que os reservatórios sofrem redução significativa de volume.
De acordo com o último balanço dos reservatórios divulgado no início da semana
pelo Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte (Igarn), dez
reservatórios seguem em situação crítica, quando o manancial está com menos de
10% da capacidade. Entre eles estão o açude Itans, em Caicó, com apenas 0,74%,
e Passagem das Traíras, em São José do Seridó, que acumula somente 0,14% da
capacidade total.

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