O senador Rogério Marinho (PL-RN) subiu à tribuna do
Senado para responder diretamente aos ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli,
que reagiram com ameaças ao relatório da CPI do Crime Organizado. Marinho
classificou a postura dos magistrados como "um verdadeiro
linchamento" contra o relator Alessandro Vieira (MDB-SE) e "um
espetáculo explícito de tentativa de cerceamento da atividade
parlamentar".
O ponto mais duro do discurso foi o desafio aberto a
Gilmar Mendes, que acusou senadores de protegerem milicianos. "Era
importante que o ministro, ao invés de generalizar, exemplifique. Aponte o dedo
para quem de fato é miliciano, ao invés de jogar uma pecha sobre toda esta
casa", cobrou Marinho.
A resposta veio após declarações graves dos
ministros na véspera. Gilmar chamou o relatório de "erro histórico",
disse que o relator "se esqueceu dos colegas milicianos" e ameaçou:
"Não me chamem para dançar, porque eu sei dançar." Toffoli foi além:
afirmou que o documento poderia configurar abuso de autoridade e levar à
inelegibilidade dos senadores envolvidos.
Marinho também denunciou a manobra do governo na
composição da CPI. Segundo ele, senadores que participaram dos quatro meses de
trabalho foram substituídos na véspera da votação por outros que sequer
conheciam o relatório. O objetivo: garantir a rejeição por 6 votos a 4.
"Mais uma vez, o governo coloca a sua digital na hora que impede que a
sociedade possa se manifestar", disse.
O senador então devolveu ao STF a acusação de
corporativismo. Citou o inquérito das fake news, aberto há mais de sete anos
quando deveria durar 90 dias, que dá ao ministro Alexandre de Moraes
"poderes acima do bem e do mal". "Centenas de brasileiros estão
exilados com receio daquele que tem no seu punho a condição de uma exceção de
jurisprudência banalizada", afirmou.
Mencionou ainda as conversas publicizadas entre um
juiz auxiliar do TSE e funcionários de tecnologia, nas quais o magistrado teria
pedido "criatividade para encontrar provas contra um adversário
político". Marinho disse que peticionou ao CNJ e recebeu como resposta que
"aquelas eram conversas normais". "Normais para quem?",
questionou.
Citou também a censura prévia nas eleições, quando
"um dos juízes daquela corte disse que só dessa vez se praticaria a
censura", e a prática de cônjuges de ministros atuarem como advogados em
causas julgadas pelos próprios magistrados. "É legal porque passou num
acordo daquele tribunal, mas é moral?", provocou.
Na reta final, Marinho exibiu prints de reportagens
no plenário para rebater o inquérito aberto contra Flávio Bolsonaro. Mostrou
matérias comprovando que Lula fundou o Foro de São Paulo, recebeu Maduro com
tapete vermelho e não reconheceu a fraude na Venezuela. "Qual é a mentira?
Qual é a calúnia? Está tudo aqui, esfregado na cara daqueles que querem cercear
a verdade", disparou.
Encerrou pedindo que o Senado rejeite a indicação de
Jorge Messias ao STF. "Como se pode votar em alguém que, à frente da AGU,
instaurou o ministério da verdade? Quem aqui já leu George Orwell? A distopia
de 1984 foi transformada em realidade pelo governo Lula." E concluiu:
"Nós precisamos decidir de que lado estamos, se do lado da democracia ou
do lado do faz de conta."
Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros

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