quinta-feira, 9 de abril de 2026

TCU aponta queda na ocupação de vagas em universidades federais

 


A taxa de ocupação de vagas em cursos de graduação de universidades federais caiu a partir de 2020 e passou a se manter em torno de 75%, segundo auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU).

O levantamento analisou dados de 69 universidades federais entre 2014 e 2024. Antes da queda, a ocupação ficava próxima de 90%.

Em 2022, por exemplo, 75% das cerca de 297 mil vagas ofertadas foram preenchidas. Já em 2023, o índice foi de 78% entre aproximadamente 304 mil vagas.

De acordo com o TCU, um dos fatores para a queda é a baixa oferta de cursos no período noturno. A meta do Plano Nacional de Educação (PNE) prevê que um terço das vagas seja oferecido à noite, mas apenas 15 das 69 universidades cumprem esse objetivo.

A auditoria também aponta a oferta limitada de cursos na modalidade de educação a distância (EaD), concentrada principalmente nas áreas de Educação e Administração.

Currículos desatualizados e pouca flexibilidade

Outro problema identificado foi a desatualização de currículos e práticas pedagógicas. Segundo o TCU, muitos cursos não acompanham as demandas atuais dos estudantes e do mercado de trabalho, como maior flexibilidade e uso de metodologias inovadoras.

A análise também cita cargas horárias consideradas excessivas como um possível fator que dificulta a permanência dos alunos.

Falta de planejamento e critérios para oferta de vagas

O tribunal apontou ainda falhas na gestão das universidades. Metade das instituições não possui normas internas baseadas em critérios técnicos para criação ou alteração de vagas e cursos.

Também foram identificados problemas no cronograma do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que, segundo o TCU, pode dificultar a efetivação de matrículas e contribuir para vagas ociosas.

Informação limitada ao candidato e baixa divulgação

A auditoria indica que o Sisu não oferece informações suficientes para ajudar os estudantes na escolha dos cursos, como dados sobre concorrência e notas de edições anteriores.

Além disso, o TCU destaca que universidades e o Ministério da Educação usam de forma limitada canais como redes sociais e internet para divulgar o ensino superior público e atrair novos alunos.

Recomendações

Após a auditoria, o TCU fez recomendações ao Ministério da Educação (MEC), ao Inep e às universidades federais para melhorar a gestão das vagas e o processo de seleção. O relator do caso é o ministro Bruno Dantas.

 

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