A taxa de ocupação de vagas em cursos de graduação
de universidades federais caiu a partir de 2020 e passou a se manter em torno
de 75%, segundo auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU).
O levantamento analisou dados de 69 universidades
federais entre 2014 e 2024. Antes da queda, a ocupação ficava próxima de 90%.
Em 2022, por exemplo, 75% das cerca de 297 mil vagas
ofertadas foram preenchidas. Já em 2023, o índice foi de 78% entre
aproximadamente 304 mil vagas.
De acordo com o TCU, um dos fatores para a queda é a
baixa oferta de cursos no período noturno. A meta do Plano Nacional de Educação
(PNE) prevê que um terço das vagas seja oferecido à noite, mas apenas 15 das 69
universidades cumprem esse objetivo.
A auditoria também aponta a oferta limitada de
cursos na modalidade de educação a distância (EaD), concentrada principalmente
nas áreas de Educação e Administração.
Currículos desatualizados e pouca
flexibilidade
Outro problema identificado foi a desatualização de
currículos e práticas pedagógicas. Segundo o TCU, muitos cursos não acompanham
as demandas atuais dos estudantes e do mercado de trabalho, como maior
flexibilidade e uso de metodologias inovadoras.
A análise também cita cargas horárias consideradas
excessivas como um possível fator que dificulta a permanência dos alunos.
Falta de planejamento e critérios para
oferta de vagas
O tribunal apontou ainda falhas na gestão das
universidades. Metade das instituições não possui normas internas baseadas em
critérios técnicos para criação ou alteração de vagas e cursos.
Também foram identificados problemas no cronograma
do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que, segundo o TCU, pode dificultar a
efetivação de matrículas e contribuir para vagas ociosas.
Informação limitada ao candidato e baixa
divulgação
A auditoria indica que o Sisu não oferece
informações suficientes para ajudar os estudantes na escolha dos cursos, como
dados sobre concorrência e notas de edições anteriores.
Além disso, o TCU destaca que universidades e o
Ministério da Educação usam de forma limitada canais como redes sociais e
internet para divulgar o ensino superior público e atrair novos alunos.
Recomendações
Após a auditoria, o TCU fez recomendações ao
Ministério da Educação (MEC), ao Inep e às universidades federais para melhorar
a gestão das vagas e o processo de seleção. O relator do caso é o ministro
Bruno Dantas.

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