O preço dos ovos de galinha voltou a subir em todo o
país desde fevereiro, com altas de até 20%, segundo levantamento do Cepea
(Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). O movimento é impulsionado
pela maior demanda durante a Quaresma e a Páscoa, período em que cristãos
católicos substituem a carne por ovos e frango, sendo o ovo uma das alternativas
mais requisitadas.
Para o economista Arthur Néo, vice-presidente do
Conselho Regional de Economia (Corecon-RN), o ovo é um item indispensável na
alimentação. Na economia, é classificado como um “bem substituto”, por ser mais
acessível. Néo explica que houve um aumento significativo no preço do milho e
do trigo, bases da ração das aves; contudo, a logística também é determinante
para o valor final. “As granjas mais próximas do local de consumo conseguem ter
um custo logístico menor do que aquelas que transportam de distâncias maiores.
Por isso, é importante que o consumidor priorize os produtores locais”, afirma.
O especialista destaca estratégias práticas para
enfrentar a alta: optar por ovos de categorias menores (médios ou pequenos),
comprar bandejas maiores (que reduzem o preço por unidade), pesquisar valores
entre mercados e feiras e avaliar marcas locais.
Ele lembra ainda que o ovo é insumo essencial para
diversos outros produtos, como salgados e doces. “São períodos sazonais; isso
sempre ocorre próximo à Quaresma. Além da alta na ração, o aumento nos
combustíveis impacta o transporte. Somado a isso, o calor do verão faz com que
as galinhas produzam menos ovos”, ressalta o economista.
Para a advogada Catarina Freitas, de 44 anos, a
diferença no bolso é evidente. “O ovo teve uma subida significativa. Há três
semanas, comprávamos uma cartela com 30 ovos grandes por R$ 14. Hoje, o valor
varia entre R$ 17 e R$ 24. É um aumento absurdo”, relata. Para driblar os
preços, Catarina tem optado por ovos de codorna ou por tamanhos menores da
versão de galinha.
Feijão também registra alta nos preços
O preço do feijão carioca acumulou uma alta de 19,7%
nos últimos 12 meses, de acordo com dados do Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). A safra atual é a menor dos últimos quatro anos,
afetada por problemas climáticos, como chuvas excessivas durante a colheita em
estados produtores, o que reduziu a oferta e a qualidade. O cenário também é
reflexo do plantio reduzido, já que muitos produtores desanimaram com a baixa
rentabilidade do ano anterior.
Para a aposentada Maria do Socorro de Souza Araújo,
de 70 anos, a insatisfação cresce a cada ida ao supermercado. “Tudo está muito
caro. Antes, minha feira custava R$ 600; hoje, sai por R$ 900. Não vejo
redução, apenas aumento”, lamenta.
Arthur Néo reforça que, historicamente, um bom
período de chuvas aumenta a oferta de feijão, especialmente por meio de
pequenos agricultores. “Infelizmente, estamos passando por um período de chuvas
irregulares, o que impediu que o preço seguisse a tendência de queda para a
época. Como os custos de transporte e insumos subiram, esse valor acaba sendo
repassado ao consumidor final”, conclui.

Nenhum comentário:
Postar um comentário