A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro intensificou
os trabalhos e montou uma força-tarefa para apresentar, nos próximos dias, a
proposta de delação premiada. A corrida contra o tempo ocorre em meio ao avanço
de uma ação no Supremo Tribunal Federal que pode impor novas
restrições a esse tipo de acordo.
O alerta foi aceso após o ministro Alexandre de
Moraes liberar para julgamento uma ação que discute limites das delações.
Entre os pontos sensíveis está a possibilidade de impedir medidas como buscas e
apreensões baseadas apenas em declarações de delatores, o que pode enfraquecer
a estratégia da defesa.
Outro fator de preocupação envolve as chamadas
delações cruzadas, como a que estaria sendo articulada entre Vorcaro e o
empresário Fabiano Zettel. A proposta em análise no STF prevê que esse
tipo de colaboração não tenha valor isolado, exigindo provas adicionais para
validação.
Vorcaro já está na segunda etapa do processo, após
assinar termo de confidencialidade com investigadores. O acordo, conduzido de
forma conjunta pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, ainda
depende da apresentação de anexos com provas robustas para avançar.
Apesar da pressa da defesa, investigadores avaliam
que a negociação não será rápida. Eles exigem novos elementos, além do material
já coletado — incluindo dados de celulares apreendidos —, e indicam que o
empresário precisará apontar possíveis superiores no esquema para que a delação
tenha peso na Justiça.

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