A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira
(15) a Operação Narco Fluxo e aponta que um esquema de lavagem de dinheiro ligado
ao cantor MC Ryan SP teria movimentado mais de R$ 260 bilhões. A
informação consta em decisão da Justiça Federal, do do juiz Roberto Lemos dos
Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos., que autorizou as medidas da
operação.
Segundo a investigação, o grupo utilizava atividades
ligadas à indústria musical e ao entretenimento digital para movimentar grandes
quantias de dinheiro sem lastro econômico comprovado. De acordo com a PF,
os valores eram movimentados por meio da venda de ingressos, produtos e ativos
digitais, além do uso de criptoativos e transações fracionadas para dificultar
o rastreamento.
A apuração também aponta o uso de “laranjas”,
familiares e operadores financeiros para ocultar os reais beneficiários das
operações. Relatórios do Coaf identificaram movimentações suspeitas de R$
1,63 bilhão. Esse valor serviu de base para bloqueio de bens e contas dos
investigados. No entanto, a PF estima que o volume total movimentado pelo grupo
seja muito maior.
A operação mobiliza mais de 200 policiais federais e
cumpre 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária em diversos
estados do país. Entre os alvos estão o cantor MC Poze do Rodo e
o influenciador Raphael Sousa, ligado à página Choquei. As ações ocorrem
em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo,
Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
Justiça vê indícios de “instituição
financeira clandestina”
Na decisão, a Justiça aponta que o grupo atuaria
como uma espécie de “instituição financeira clandestina”, com forte
capilaridade e ramificações que ultrapassam o território nacional.
Além das prisões, foram determinadas medidas como
sequestro de bens, bloqueio de valores e restrições societárias para
interromper as atividades investigadas. Os envolvidos podem responder por
crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Defesas se manifestam
Em nota, a defesa de MC Ryan informou que ainda não
teve acesso aos autos, mas afirmou que todas as movimentações financeiras do
artista possuem origem comprovada e seguem a legislação.
Já a defesa de MC Poze declarou desconhecer o teor
da decisão judicial e disse que irá se manifestar após acesso ao
processo. A defesa de Raphael Sousa não foi localizada.

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