Documentos da Receita Federal obtidos pela CPI do
Crime Organizado do Senado Federal revelam que o escritório de advocacia de
Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal
Federal (STF), recebeu R$ 80 milhões do Banco Master, de Daniel Vorcaro, entre
os anos de 2024 e 2025. Os dados chegaram à comissão após a quebra de sigilo
fiscal do banco e mostram que os pagamentos foram declarados pelo Master à
Receita por meio de impostos retidos diretamente na fonte, com emissão de notas
de prestação de serviços.
O próprio escritório Barci de Moraes informou, no
mês passado, que os serviços foram prestados entre fevereiro de 2024 e novembro
de 2025, um período de 22 meses. Dividindo os R$ 80 milhões confirmados pela
Receita ao longo desse intervalo, o escritório recebeu, em média, **R$ 3,63
milhões por mês** — valor que supera o piso mensal de R$ 3,5 milhões previsto
no contrato original. O acordo completo, com duração de 36 meses, totalizaria
R$ 126 milhões, mas foi encerrado antes do prazo estipulado.
Uma cópia digitalizada do contrato entre o banco e o
escritório foi apreendida no celular de Daniel Vorcaro, dono do Master. Para
justificar os valores, o escritório afirmou, em nota, que uma equipe de 15
advogados produziu 36 pareceres jurídicos e participou de 94 reuniões de
trabalho, sendo 79 delas presenciais na sede do banco, com duração média de
três horas cada. Procurado sobre os dados revelados pela CPI, o escritório
declarou que "não confirma as informações incorretas e vazadas
ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos".
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira
(MDB-SE), foi quem trouxe os números a público durante sessão na terça-feira
(7/4). Para o parlamentar, os valores evidenciam a dimensão do problema que
envolve o Banco Master. "Esse é o tamanho do problema que está no colo de
nós, senadores, e que chama a atenção dos brasileiros tanto quanto o impacto
dos combustíveis, porque este é um problema que afeta o alicerce da democracia,
que é a credibilidade das instituições", afirmou Vieira, dirigindo-se ao
presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Além dos valores milionários pagos ao escritório,
registros públicos de cartório revelam que a família de Alexandre de Moraes
adquiriu, à vista, uma mansão de 725 m² no Lago Sul, bairro nobre de Brasília,
por R$ 12 milhões. A informação foi publicada pelo Metrópoles, por meio da
coluna de Igor Gadelha, em setembro de 2025.

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