quinta-feira, 9 de abril de 2026

Ministros do STF fazem campanha para Jorge Messias de olho em apoio futuro; saiba qual ala ganha

 


A campanha que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) fazem pela aprovação de Jorge Messias no Senado não é de todo desinteressada. Nos bastidores, integrantes de diferentes alas da Corte lutam para engordar seu próprio time – e, assim, conquistarem um aliado quando Messias passar pelo crivo dos parlamentares.

Diante de um tribunal conflagrado, uma parceria a mais é bem-vinda. Hoje, a ala crítica ao comando de Edson Fachin está numericamente empatada com o time do presidente. A correlação de forças internas pode mudar com a chegada do novato.

De um lado, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, que são aliados no Supremo e fazem oposição a Fachin em temas que o presidente considera cruciais, pedem votos aos senadores em favor de Messias. Correm pelo outro lado André Mendonça e Kassio Nunes Marques – que, por sua vez, apoiam a gestão de Fachin e as prioridades eleitas por ele.

Nesse cenário, o time de Fachin leva vantagem. A atuação de Mendonça rompeu os bastidores e ganhou contornos públicos na última segunda-feira, 6, quando discursou a favor de Messias em um evento na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Na presença do candidato à cadeira vaga no Supremo, Mendonça disse que torce para o advogado-geral da União chegar logo à Corte.

Nunes Marques é amigo de Messias há mais tempo, desde que ambos moravam no Piauí. Depois que Jair Bolsonaro indicou Nunes Marques ao Supremo, Messias foi o principal articulador da aproximação do ministro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nunes Marques conseguiu emplacar aliados para tribunais de Brasília e, agora, quer fazer o mesmo pelo advogado-geral.

Embora as duas alas do Supremo sejam matematicamente iguais, o time de Gilmar e Zanin fala mais alto – especialmente pela maior capacidade de articulação política interna e externa. Estão nesse time também Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Dias Toffoli. Ao lado de Mendonça e Nunes Marques estão Cármen Lúcia, Luiz Fux e Fachin.

A divisão política do Supremo ficou mais patente depois que estourou o escândalo do Banco Master. Fachin passou a defender um comportamento mais sóbrio dos colegas e a aprovação de um código de conduta para a Corte. Esbarrou na contrariedade da ala de Moraes e Toffoli. Ambos foram mencionados no caso Master por relações mantidas com Daniel Vorcaro.

A turma de Fachin ficou enfraquecida nesse processo. O presidente do Supremo insiste na aprovação do código de ética. Quer também encerrar o inquérito das fake news para demonstrar à política disposição para distensionar o clima polarizado em Brasília. A esperança dessa ala é que a chegada de Messias fortaleça o presidente da Corte.

Carolina Brígido - Estadão

 

 

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