O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
Benedito Gonçalves apresentou uma declaração de impedimento para julgar
qualquer processo relacionado ao Banco Master. A informação foi publicada pelo
jornal Estadão e indica que a comunicação foi feita pelo sistema eletrônico do
próprio STJ, o que provoca o afastamento automático do magistrado das ações que
envolvam a instituição financeira.
De acordo com a reportagem, após a declaração, o STJ
passou a juntar aos processos do banco, no dia 31 de março, uma certidão
formalizando o impedimento. Entre os casos citados está um recurso do Banco
Master que busca a liberação de precatórios do setor sucroalcooleiro. Procurado
pelo Estadão, o ministro não teria retornado aos contatos.
O impedimento ocorre após a participação de Benedito
Gonçalves como palestrante em um evento jurídico em Londres, em abril de 2024,
que teve patrocínio do Banco Master e reuniu autoridades do Judiciário
brasileiro. Em paralelo à agenda, o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Master,
teria promovido uma degustação de whisky Macallan para ministros e outras
autoridades, com custo estimado em R$ 3,3 milhões, segundo informações citadas
na reportagem.
Ainda conforme o Estadão, as apurações sobre Vorcaro
levaram à identificação de indícios de proximidade entre o dono do Master e
integrantes do Judiciário, e o caso passa a ter um novo elemento com o registro
formal de impedimento no STJ. O jornal relata também que o nome do ministro
constava salvo no celular de Vorcaro, apreendido em investigação, e que dados
do aparelho foram analisados em apurações e compartilhados com instâncias de
investigação parlamentar.
O episódio reacende o debate sobre transparência e
cautelas institucionais para evitar questionamentos sobre imparcialidade,
especialmente quando há relação, ainda que indireta, entre patrocinadores de
eventos e partes com processos em tribunais superiores. No caso, a medida
adotada pelo ministro busca afastar qualquer dúvida sobre sua atuação em ações
envolvendo o Banco Master.

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