Os investigadores envolvidos nas tratativas de
delação do caso Banco Master concordam que pelo menos um acordo de colaboração
premiada deve bater na trave: o do empresário e pastor Fabiano Zettel, apontado
pela Polícia Federal como operador financeiro do seu cunhado, o executivo
Daniel Vorcaro. Zettel é casado com a irmã do ex-dono do Master, Natália
Vorcaro.
Na decisão que mandou prender Vorcaro e Zettel, o
relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André
Mendonça, descreve o empresário-pastor como uma espécie de organizador dos
pagamentos do dono do Master. Era ele quem pagava os integrantes da Turma, como
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, e foi ele também quem
operacionalizou os pagamentos à Maridt, empresa da família do ministro do STF
Dias Toffoli que detinha participação no resort Tayayá.
É por isso que, na avaliação preliminar de fontes
que acompanham de perto os desdobramentos do caso, a delação de Zettel não
teria grande valor para a investigação. Como cumpria ordens de Vorcaro, ele não
teria muito a acrescentar em relação ao depoimento do cunhado. Basicamente se
limitaria a falar que executou as determinações de Vorcaro, e para isso não há
necessidade de mais um acordo.
Segundo relatos obtidos pela equipe da coluna, o
“recado” já foi passado para o time jurídico de Zettel, capitaneado pelo
criminalista Celso Vilardi, que atuou na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro
no processo da trama golpista. Procurado, Vilardi não se manifestou.
Os investigadores que estão à frente do caso Master
não querem fechar delação premiada com todos os interessados em escapar de
penas elevadas no escândalo. A tendência de delegados e procuradores é fazer
jogo duro com os possíveis delatores, cobrando a entrega de informações que
agreguem novidade ao farto material que já foi obtido. Além do conteúdo dos
celulares de Vorcaro e cia, que ainda não foi completamente analisado, há
muitos documentos apreendidos na última fase da operação, que prendeu o
ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o advogado Daniel Monteiro,
responsável por montar toda a rede de fundos do dono do Master.
Uma das principais preocupações é rastrear o caminho
do dinheiro das transações, que envolvem um ecossistema de ampla capilaridade
nacional, que inclui fundos obscuros, políticos de diferentes matizes e
autoridades dos três poderes.
Pagamentos
De acordo com a PF, Zettel atuava na
operacionalização de pagamentos do grupo “A Turma”, liderado pelo policial
federal aposentado Marilson Roseno e voltado para o monitoramento e coleta de
informações de interesse de Vorcaro, além da prática de coação e intimidação de
jornalistas, ex-empregados e pessoas consideradas adversárias pelo dono do
Master.
A “Sicário”, os pagamentos eram de até R$ 1 milhão
mensais, de acordo com os investigadores. Foi ele quem mandou para Vorcaro,
meses antes de sua primeira prisão, três procedimentos sigilosos que tramitavam
no Ministério Público Federal (MPF), inclusive aquele que apurava
irregularidades na compra do Master pelo BRB e que o levaria a ser detido por
policiais federais no aeroporto de Guarulhos.
Zettel também é o controlador do fundo Arleen, que
de acordo com o Estadão, aportou R$ 35 milhões no resort Tayayá no período em
que adquiriu uma fatia do empreendimento que pertencia à empresa Maridt, que
tinha como sócio oculto o ministro Dias Toffoli.
Conforme informou o blog, o relatório entregue pela
PF ao presidente do STF, Edson Fachin, detalha diálogos de dezembro de 2024
entre o CEO do Master e Zettel sobre pagamentos a serem repassados para Toffoli
– três anos após a venda de parte das cotas para o fundo do cunhado de Vorcaro.
Nas conversas, Zettel pergunta ao banqueiro como
deveria proceder em relação aos pagamentos para o ministro. O controlador do
Master respondeu que preferia que os repasses se dessem por meio do Arleen.
Numa eventual delação, ele precisaria ir além do que
já foi encontrado, mas os investigadores não botam muita fé nessa
possibilidade.
Malu Gaspar - O Globo

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