segunda-feira, 27 de abril de 2026

Master: A má notícia de investigadores para o cunhado de Vorcaro que tenta delação

 


Os investigadores envolvidos nas tratativas de delação do caso Banco Master concordam que pelo menos um acordo de colaboração premiada deve bater na trave: o do empresário e pastor Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro do seu cunhado, o executivo Daniel Vorcaro. Zettel é casado com a irmã do ex-dono do Master, Natália Vorcaro.

Na decisão que mandou prender Vorcaro e Zettel, o relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, descreve o empresário-pastor como uma espécie de organizador dos pagamentos do dono do Master. Era ele quem pagava os integrantes da Turma, como Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, e foi ele também quem operacionalizou os pagamentos à Maridt, empresa da família do ministro do STF Dias Toffoli que detinha participação no resort Tayayá.

É por isso que, na avaliação preliminar de fontes que acompanham de perto os desdobramentos do caso, a delação de Zettel não teria grande valor para a investigação. Como cumpria ordens de Vorcaro, ele não teria muito a acrescentar em relação ao depoimento do cunhado. Basicamente se limitaria a falar que executou as determinações de Vorcaro, e para isso não há necessidade de mais um acordo.

Segundo relatos obtidos pela equipe da coluna, o “recado” já foi passado para o time jurídico de Zettel, capitaneado pelo criminalista Celso Vilardi, que atuou na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro no processo da trama golpista. Procurado, Vilardi não se manifestou.

Os investigadores que estão à frente do caso Master não querem fechar delação premiada com todos os interessados em escapar de penas elevadas no escândalo. A tendência de delegados e procuradores é fazer jogo duro com os possíveis delatores, cobrando a entrega de informações que agreguem novidade ao farto material que já foi obtido. Além do conteúdo dos celulares de Vorcaro e cia, que ainda não foi completamente analisado, há muitos documentos apreendidos na última fase da operação, que prendeu o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o advogado Daniel Monteiro, responsável por montar toda a rede de fundos do dono do Master.

Uma das principais preocupações é rastrear o caminho do dinheiro das transações, que envolvem um ecossistema de ampla capilaridade nacional, que inclui fundos obscuros, políticos de diferentes matizes e autoridades dos três poderes.

Pagamentos

De acordo com a PF, Zettel atuava na operacionalização de pagamentos do grupo “A Turma”, liderado pelo policial federal aposentado Marilson Roseno e voltado para o monitoramento e coleta de informações de interesse de Vorcaro, além da prática de coação e intimidação de jornalistas, ex-empregados e pessoas consideradas adversárias pelo dono do Master.

A “Sicário”, os pagamentos eram de até R$ 1 milhão mensais, de acordo com os investigadores. Foi ele quem mandou para Vorcaro, meses antes de sua primeira prisão, três procedimentos sigilosos que tramitavam no Ministério Público Federal (MPF), inclusive aquele que apurava irregularidades na compra do Master pelo BRB e que o levaria a ser detido por policiais federais no aeroporto de Guarulhos.

Zettel também é o controlador do fundo Arleen, que de acordo com o Estadão, aportou R$ 35 milhões no resort Tayayá no período em que adquiriu uma fatia do empreendimento que pertencia à empresa Maridt, que tinha como sócio oculto o ministro Dias Toffoli.

Conforme informou o blog, o relatório entregue pela PF ao presidente do STF, Edson Fachin, detalha diálogos de dezembro de 2024 entre o CEO do Master e Zettel sobre pagamentos a serem repassados para Toffoli – três anos após a venda de parte das cotas para o fundo do cunhado de Vorcaro.

Nas conversas, Zettel pergunta ao banqueiro como deveria proceder em relação aos pagamentos para o ministro. O controlador do Master respondeu que preferia que os repasses se dessem por meio do Arleen.

Numa eventual delação, ele precisaria ir além do que já foi encontrado, mas os investigadores não botam muita fé nessa possibilidade.

Malu Gaspar - O Globo

 

 

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