terça-feira, 7 de abril de 2026

Escândalo: TCE suspende licitação de quase R$ 309 milhões após suspeita de sobrepreço no RN; saiba

 


A Segunda Câmara do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE/RN) determinou, em caráter cautelar, a suspensão de uma licitação promovida pelo Consórcio Intermunicipal Multifinalitário Potiguar, cujo valor estimado chega a R$ 308,9 milhões. O presidente é o prefeito de Lajes Pintada, Luciano da Cunha Gomes.

A decisão foi motivada por representação feita pela Diretoria de Controle de Infraestrutura e Meio Ambiente, que apontou falhas graves e indícios de sobrepreço de aproximadamente R$ 197 milhões. A medida interrompe imediatamente todos os atos relacionados ao certame e à ata de registro de preços.

O presidente do consórcio terá prazo de 72 horas para comprovar o cumprimento da decisão, sob risco de multa diária.

Falhas graves e risco de prejuízo aos cofres públicos

A licitação em questão tinha como finalidade viabilizar a instalação de sistemas de energia solar fotovoltaica para municípios consorciados.

No entanto, a realização de uma auditoria técnica identificou a ausência de planejamento adequado e a falta de projetos básicos para a execução das obras.

Também não foram definidas previamente condições essenciais, como características dos locais, tipo de solo, estrutura elétrica e aspectos ambientais, o que compromete a transparência e a precisão dos custos.

Uso irregular de modelo de contratação

Outro ponto destacado na decisão foi o uso inadequado do Sistema de Registro de Preços. De acordo com o TCE, esse modelo deve ser aplicado apenas em contratações padronizadas e recorrentes, o que não se aplica a obras de engenharia com alta complexidade técnica.

Além disso, o edital reuniu serviços, obras e fornecimentos em um único item, sem detalhamento de quantidades e locais, dificultando o controle e a comparação de preços.

Diferença de valores chama atenção

A auditoria também apontou uma discrepância significativa nos valores apresentados.

Enquanto o preço médio do quilowatt pico no estado gira em torno de R$ 2.500, o edital previa valores próximos a R$ 8.100.

A diferença reforça a estimativa de sobrepreço milionário identificada pelos técnicos do tribunal.

Processo segue sob análise e pode gerar responsabilizações

Outro problema identificado foi a aplicação de percentual único de Benefícios e Despesas Indiretas sobre equipamentos de alto custo, prática que pode inflar artificialmente os valores.

Diante das irregularidades, o processo foi encaminhado ao Ministério Público Estadual, e as Câmaras Municipais envolvidas foram notificadas.

A suspensão tem caráter cautelar, e o consórcio ainda poderá apresentar defesa ao longo da análise, garantindo o contraditório.

BNews Natal

 

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