A Coreia do Norte pode
estar se afastando do Irã, um de
seus principais aliados. A conclusão é de um relatório elaborado pelo Serviço
Nacional de Inteligência (NIS) da Coreia do Sul.
Segundo o deputado Park Sun-won, que comentou pontos
do documento na segunda-feira (6) durante coletiva de imprensa, o regime
liderado por Kim
Jong-un, até o momento, não forneceu materiais ou suprimento ao país
persa em meio à guerra com
os Estados
Unidos e Israel.
Outro ponto que chama a atenção dos parlamentares
sul-coreanos, e que parece sugerir que a Coreia do Norte busca distância, é o
fato de Pyongyang não ter enviado nenhum tipo de condolência após a morte
do líder supremo Ali Khamenei no primeiro dia do conflito. O
seu sucessor, Motjaba Khamenei, também não foi parabenizado após
assumir a posição.
Segundo as autoridades de Seul, a postura mais
discreta seria um indicativo de que a Coreia do Norte tenta estabelecer um novo
espaço diplomático antes de maio, quando deve ocorrer, uma cúpula entre o
presidente chinês Xi Jinping,
um parceiro dos norte-coreanos, e o presidente dos EUA, Donald Trump.
Marcado para os dias 14 e 15 do próximo mês, o
encontro bilateral será em Pequim. A secretária de imprensa da Casa
Branca, Karoline
Leavitt, afirmou que Trump e a primeira-dama, Melania, também devem
receber Xi em uma visita oficial em Washington, ainda sem data definida.
Mísseis da Coreia do Norte
Em seu relatório, o NIS aponta que a Coreia do Norte
enfrenta dificuldades econômicas em meio à guerra no Oriente Médio,
com efeitos no fornecimento de insumos industriais, alta de preços e pressão
sobre a taxa de câmbio.
Ao mesmo tempo, o país tem avançado rapidamente no
desenvolvimento de mísseis balísticos intercontinentais. Em março, o país
realizou um teste
envolvendo um novo motor para míssil capaz de atingir o território continental
dos EUA. Kim Jong-un acompanhou a ação, que não teve o local ou dia
divulgado.
Segundo a KCNA, veículo de mídia estatal do regime
norte-coreano, o empuxo máximo do motor é de 2.500 quilotoneladas, acima das
cerca de 1.971 quilotoneladas registradas em um teste semelhante em setembro.
O teste faz parte de um programa de cinco anos que
busca expandir a capacidade militar norte-coreana a um nível considerado
“incomparável”. Entre as prioridades, aponta a KCNA, está o desenvolvimento
de mísseis
balísticos intercontinentais com lançamento terrestre e
submarino, além de sistemas de ataque não tripulados equipados com inteligência
artificial.
Ainda de acordo com a mídia estatal, o desejo do
regime norte-coreano é reforçar as armas para “conter inimigos”, incluindo os
EUA e a Coreia do Sul.
Em fevereiro, Kim Jong-un já havia acompanhado a
apresentação oficial de um lançador
múltiplo de foguetes. Com calibre de 600 milímetros e alcance de cerca
de 400 quilômetros, a arma é capaz de disparar ogivas nucleares.
Em discurso, o ditador a descreveu como “única no
mundo”, sendo ideal para intimidar inimigos, ou “missões estratégicas”.
Especulação sobre sucessão de Kim
Jong-un
Já no campo político, o NIS reafirmou em seu mais
recente relatório que a filha de Kim Jong-un é vista como uma possível
sucessora no comando do país.
O diagnóstico leva em consideração o aumento
expressivo das aparições públicas da jovem, que se chamaria
Kim Ju Ae e teria cerca de 13 anos, e o destaque que ela passou a
receber em eventos estratégicos do regime, especialmente ligados ao programa
militar e nuclear.
Na mais recente aparição, no dia 3 de abril, o
ditador foi fotografado levando
a herdeira a uma vistoria em um pet shop. Os dois também visitaram uma
loja de instrumentos musicais e um centro automotivo.
R7

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