A prisão de Raphael Sousa Oliveira, dono da Choquei,
na Operação Narco Fluxo, expõe uma história que parte da imprensa preferiu
ignorar. A página nasceu em 2014 como perfil de fofocas, mas em 2022 adotou
linha abertamente pró-Lula e anti-Bolsonaro durante as eleições. Não foi acaso.
Segundo a revista Piauí, a primeira-dama Janja tornou-se fonte direta de
Raphael, trocando mensagens pelo Instagram e fornecendo informações publicadas
como "furos".
Fotos de Lula beijando a testa de Júnior Silva,
administrador da Choquei, e de Janja abraçando o mesmo colaborador viralizaram
e documentaram a proximidade. Levantamento da revista Crusoé mostrou que a
Choquei era o perfil brasileiro mais corrigido por fake news no X, com 440
notas da comunidade, o terceiro mais repreendido do mundo.
Em dezembro de 2023, a Choquei publicou prints
falsos de uma suposta conversa entre a jovem Jéssica Canedo e Whindersson
Nunes. Ambos desmentiram. Jéssica, alvo de uma avalanche de ódio virtual, tirou
a própria vida aos 22 anos. O caso provocou comoção nacional e ministros do
governo pediram regulação das redes. Mas o STF, que mantinha aberto o inquérito
das fake news desde 2019, ignorou o caso. Segundo a Gazeta do Povo, 14 dias
após a morte, o Supremo não respondeu se a Choquei seria incluída na
investigação. Semanas antes, o mesmo tribunal havia mobilizado a PF em menos de
24 horas para identificar um adolescente que invadiu o perfil de Janja.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) foi o primeiro a
comprar briga pública com a Choquei. Em dezembro de 2022, quase um ano antes da
morte de Jéssica, Nikolas expôs as relações de Raphael com políticos de
esquerda e com Janja. O criador da Choquei trancou suas contas pessoais diante
da repercussão. Quando Jéssica morreu, Nikolas escalou: "A Polícia Federal
não bateu na porta da Choquei até agora? Do hacker adolescente da Janja foi no
outro dia." O deputado anunciou representação no MPF contra Raphael,
apontando "responsabilidade penal e cível".
A reação de parte da imprensa e da esquerda foi
acusar Nikolas de oportunismo. Influenciadores progressistas gravaram vídeos
chamando-o de hipócrita. A Revista Fórum publicou matéria classificando sua
postura como autopromoção às custas de uma tragédia. Agora, com Raphael preso
pela PF não por fake news, mas por ser apontado como operador de mídia de uma
organização criminosa que movimentou R$ 1,6 bilhão e tem conexão com o PCC, o
alerta que Nikolas fez há mais de três anos ganha outro peso.
Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros
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