segunda-feira, 9 de março de 2026

Peritos criminais afirmam que programas usados pela PF para acessar conteúdo de celular permitem rastrear mensagens apagadas

 


Peritos criminais afirmam que ferramentas de perícia digital utilizadas pela Polícia Federal permitem acessar e analisar conteúdos armazenados em celulares apreendidos, inclusive rastreando registros de mensagens apagadas ou enviadas em modo de visualização única. Segundo especialistas, os softwares conseguem recuperar fragmentos de dados e identificar informações como data, horário e destinatário das comunicações.

Peritos da Polícia Federal ouvidos pela reportagem do jornal O Globo explicam que o primeiro passo após a apreensão é quebrar a senha do dispositivo para permitir o acesso ao conteúdo. Para isso, são utilizados programas como Cellebrite e GrayKey, capazes de fazer uma cópia completa do sistema — conhecida como extração “bit por bit”.

Esse processo cria um espelhamento integral dos dados do celular, incluindo fragmentos de arquivos e registros técnicos, chamados de logs. Esses registros permitem rastrear mensagens enviadas, inclusive as de visualização única ou que foram apagadas.

Segundo especialistas em perícia digital, mesmo quando o conteúdo da mensagem desaparece, o sistema costuma manter informações como data, horário, destinatário e o caminho do arquivo utilizado no envio.

Nas investigações envolvendo Vorcaro, os peritos também analisam capturas de tela que teriam sido enviadas como imagens em mensagens de visualização única pelo WhatsApp.

Após a extração dos dados, a Polícia Federal utiliza o IPED, um software desenvolvido pela própria PF para organizar arquivos, transcrever áudios e facilitar buscas por palavras-chave dentro de grandes volumes de informação.

O programa também gera códigos criptográficos chamados de “hash”, que funcionam como uma assinatura digital para garantir a integridade das provas analisadas.

Especialistas ressaltam que a organização automática dos arquivos pelo sistema não indica necessariamente para quem uma mensagem foi enviada, pois a classificação ocorre apenas com base nesses códigos digitais.

Com essas ferramentas, a perícia consegue reconstruir parte das interações digitais, mesmo quando houve tentativa de apagar ou ocultar informações.

 

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