Um outdoor colocado nesta 2ª feira (9.mar.2026) pelo
partido de direita Chega (direita) em frente à Assembleia da República, em
Lisboa, marcou o dia da posse de António José Seguro como presidente de
Portugal. A peça traz fotos do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva
(PT), e do presidente de Angola, João Lourenço (MPLA, esquerda), acompanhadas
da frase: “A culpa não é de 500 anos de Portugal, é da vossa corrupção”.
A imagem foi compartilhada pelo líder do Chega,
André Ventura, derrotado por Seguro no 2º turno das eleições presidenciais. Na
publicação, comentou a presença de chefes de Estado de países de língua
portuguesa na cerimônia.
“Hoje estão em Lisboa, para a tomada de posse do
Presidente da República, vários Chefes de Estado da lusofonia. Respeitamos
todos, sobretudo os países de língua portuguesa, mas temos de dizer a verdade.
Os nossos retornados merecem, os antigos combatentes merecem, Portugal merece”,
declarou Ventura.
“Respeitamos todos, sobretudo os países de língua
portuguesa, mas temos de dizer a verdade”, disse Ventura ao compartilhar a
imagem
A postagem recebeu resposta do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
“Verdade. Lula rouba e ainda querem botar a culpa em Pedro Álvares Cabral.
Faça-me o favor. O que ocorreu em 1500 foi o maior salto tecnológico da
história”, disse.
O tema abordado no outdoor remete ao debate sobre as
consequências do período colonial português, que afeta países como Brasil,
Angola e outras nações africanas que estiveram sob domínio de Lisboa por
séculos. Nas últimas décadas, governos e organizações civis passaram a discutir
políticas de reparação histórica ligadas à escravidão e à exploração colonial.
O assunto chegou a ser defendido pelo antecessor de
Seguro, Marcelo Rebelo de Sousa. O então presidente afirmou que Portugal
deveria reconhecer crimes cometidos durante o período colonial e sugeriu
discutir formas de reparação. Em declarações posteriores, também disse que o
tema da escravidão “não pode ir para debaixo do tapete”.
A discussão provocou reações diplomáticas. O governo
brasileiro declarou que a reparação histórica é “premissa para cidadania”,
enquanto São Tomé e Príncipe pediu formalmente que Portugal considere medidas
de compensação relacionadas ao passado colonial.
Ao mesmo tempo, o governo português disse que não
existiam processos formais em curso para estabelecer reparações a antigas
colônias, apesar do debate público sobre o tema.
Poder360

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