Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
avaliam que o petista fez um gesto para tentar atrair partidos de centro para a
sua aliança ao não dar como certa a permanência de Geraldo Alckmin (PSB) como
vice de sua chapa na disputa eleitoral de outubro. Durante o lançamento da
pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, na quinta-feira,
Lula indicou que prefere Alckmin na disputa ao Senado no estado.
Petistas envolvidos na campanha de Haddad acreditam,
porém, que Alckmin não deve entrar nessa disputa. A expectativa é que as
companheiras na chapa do ex-ministro da Fazenda sejam as ministras Simone Tebet
(Planejamento) e Marina Silva (Meio Ambiente).
O entendimento no entorno de Lula é que o presidente
ainda não se conformou em não ter um partido de centro, como MDB, PSD e União
Brasil, na sua aliança nacional. Ao dizer que a definição da chapa não está
consolidada, o petista sinalizaria disposição para negociar e eventualmente
abrir espaço nessa chapa. Nos bastidores, porém, há uma avaliação de que as
possibilidades de contar com essas legendas é pequena.
O PSD pretende lançar um candidato próprio ao
Planalto. O MDB e o União Brasil planejam hoje ficar neutros e liberar os
diretórios estaduais para apoiarem o nome mais conveniente para a política
local.
No lançamento de Haddad, Lula disse que ficaria
"imensamente feliz em ter o Alckmin vice outra vez”. Ressaltou que o vice
é um “companheiro" que aprendeu "a gostar, de muita lealdade, com
muita competência de trabalho, um executivo extraordinário". Mas em
seguida, falou que o ex-tucano deveria conversar com o Haddad para saber onde
aliados colherão "mais fruto dele”. Alckmin estava no evento.
— Ser candidato ao Senado ajuda mais. Se ele for meu
vice, estou tranquilo, mas o Haddad precisa de uma chapa para ganhar —
completou o presidente.
Outro entendimento no entorno do presidente é que
Lula gosta de embaralhar o jogo para não facilitar a vida dos adversários. A
fala ainda teria o objetivo de fazer com que Alckmin se empenhe na campanha de
Haddad ao governo de São Paulo, principalmente no interior do estado.
Depois da declaração de Lula, aliados de Alckmin
voltaram a afirmar nos bastidores que o atual vice-presidente não aceitará
disputar um outro cargo na eleição de outubro. Se não continuar como parceiro
de chapa do petista, o ex-tucano encerraria a sua carreira política.
No começo do ano, lideranças do PT discutiram
internamente a hipótese de tentar atrair o MDB para a chapa de Lula com a
oferta do posto de vice. Atualmente, a legenda ocupa três ministérios no
governo, mas o comando nacional emedebista resiste a um alinhamento eleitoral
em torno do petista e nem a ala governista da sigla acredita mais em união.
Pelos cálculos de lideranças nacionais do MDB, 17
diretórios são contra uma aproximação com o PT e dez, a favor.
O Globo

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