A Petrobras realizou nesta quarta-feira um leilão de
20 milhões de litros de diesel no Rio Grande do Sul com preços até R$1,78 por
litro acima do valor praticado pela estatal no Estado. A ação visa evitar o
desabastecimento durante a colheita da safra de soja, enquanto os preços do
combustível sobem no mercado internacional devido aos conflitos no Oriente
Médio.
Fontes próximas ao processo revelaram que o leilão
começou já R$1 acima do preço praticado atualmente em Canoas, que gira em torno
de R$3,18 por litro. “O mercado precisava de volume”, disse uma das fontes, sob
anonimato. A Petrobras confirmou a venda e afirmou que o diesel será entregue
ainda neste mês, sem detalhar os valores do leilão.
O leilão surge após a petroleira negar pedidos
adicionais de diesel para distribuidoras, diante da defasagem histórica entre o
preço interno e a paridade internacional, que já supera 40%, segundo a
Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).
Ao optar pela concorrência, a estatal consegue
atender a pedidos extras sem beneficiar grupos específicos, repassando parte da
diferença do mercado externo sem mexer nos preços regulares.
Apesar do esforço da Petrobras para segurar preços,
o diesel S-10 já dispara nos postos. Dados do Índice Edenred Ticket Log mostram
alta de 7,72% na primeira semana de março, alcançando R$6,70 por litro,
refletindo o repasse dos custos aos consumidores.
O abastecimento nacional depende de 50% da Petrobras,
20% de refinarias privadas e 30% de importadores, mostrando que a “mão
invisível” do governo não consegue controlar tudo.

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