quinta-feira, 19 de março de 2026

Internações por infarto em mulheres aumentam 129% no RN em 10 anos e terapia hormonal surge como uma importante prevenção

 


Os dados mais recentes da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) divulgados pela Associação Médica do Rio Grande do Norte (AMRN) sobre internações e óbitos por infarto no RN, entre os anos de 2014 e 2024, acendem um alerta importante para a saúde feminina, especialmente a partir da meia-idade. Ao todo, foram registradas 9.506 internações e 4.099 óbitos no período analisado, com uma taxa de letalidade de 43,1%.

A análise por faixa etária revela um padrão claro: o número de óbitos cresce de forma expressiva a partir dos 50 anos, com destaque para mulheres entre 60 e 69 anos, seguido pelo grupo com 70 anos ou mais. Essas mesmas faixas etárias também concentram os maiores índices de letalidade, indicando maior gravidade dos casos.

Em 2014, o número de internações foi de 603 casos. Dez anos depois, em 2024, o total chegou a 1.383 registros, o maior da série histórica analisada. Isso representa um crescimento de aproximadamente 129% em uma década, ou seja, mais que o dobro de casos em comparação com o início do período. Em 2025, os índices continuaram em crescimento, com 1.701 casos de hospitalização por infartos femininos.

Para o médico cardiologista intervencionista, Dr. Itamar Ribeiro de Oliveira, os números destacam a necessidade de investimento em prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento adequado, medidas fundamentais para reduzir o impacto das doenças cardiovasculares na população.

“O estudo reforça um alerta importante: as doenças cardiovasculares continuam entre as principais causas de internação e morte em mulheres no país, com um risco ainda maior para aquelas de meia idade”.

O levantamento estatístico dialoga diretamente com um marco importante na saúde da mulher: a menopausa, que costuma ocorrer entre os 45 e 55 anos. A redução dos níveis de estrogênio nesse período diminui a proteção natural do organismo contra doenças cardiovasculares, aumentando a vulnerabilidade ao infarto.

Antes dessa fase, mulheres tendem a apresentar menor incidência de problemas cardíacos. Após a menopausa, no entanto, o risco cresce significativamente, especialmente quando associado a fatores como hipertensão, diabetes, sedentarismo e obesidade.

De acordo com a médica ginecologista obstetra, Dra. Rosana Rebelo, um estudo publicado, em 2020, na revista Circulation, da American Heart Association, aponta que mulheres que realizam terapia hormonal com o uso do estrogênio apresentam uma redução de aproximadamente 19% no risco de eventos cardiovasculares, incluindo infarto e acidente vascular cerebral, o que reforça sua relevância no cuidado com a saúde da mulher durante a menopausa.

 

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