A atividade econômica do Brasil tem operado em
níveis aquecidos nos últimos anos, com o desemprego em patamar historicamente
baixo e a inflação dentro do intervalo de tolerância definido pelo CMN
(Conselho Monetário Nacional). Apesar da fotografia, o filme revela sinais de
alerta.
A informação é da CNN. Um deles é
o endividamento das famílias, que já compromete quase 30% da renda dos
brasileiros. Desse total utilizado para pagar as dívidas, 10,4% é referente ao
pagamento de juros, maior patamar em pelo menos 20 anos. Outra parte do
orçamento familiar, 18,81%, vai para honrar o principal, segundo dados do BC
(Banco Central).
Para especialistas, a taxa básica de juros, a Selic,
é um dos principais responsáveis pelo diagnóstico. Em entrevista à CNN, a
professora de macroeconomia do Insper, Juliana Inhaz, disse que o cenário atual
é delicado.
"Temos vários desdobramentos, tem claro esse
impacto de curto prazo que é o que a gente já sente hoje, é um custo maior de
uma forma generalizada, o que faz com que muitas famílias acabem ficando muito
endividadas, acabem caindo numa situação de inadimplência", afirma.
Apesar da decisão do Banco Central de reduzir os
juros em sua última reunião, a Selic segue elevada, a 14,75% ao ano, maior
nível também em pelo menos 20 anos.
A análise se materializa ao observar os números.
Entre o final do ano passado e janeiro deste ano, a inadimplência dos
consumidores atingiu 6,9%, acima dos 5,6% registrados há um ano.
O maior vilão dessa história é o cartão de crédito.
Excluindo o crédito rural e imobiliário, os juros rotativos lideram o calote
das famílias, com inadimplência de 63,5% em janeiro, seguido pelo cheque
especial (16,5%) e o cartão parcelado (13%).
Inhasz afirma que existe um impacto direto dos juros
no custo dos financiamentos. "Todo mundo que precisa hoje pegar emprestado
para consumir, precisa financiar um imóvel ou tem um plano de vida que, de
alguma forma, precisa entrar em algum tipo de financiamento, de empréstimo,
está mais caro", explica.
Em fevereiro, uma pesquisa da CNC (Confederação
Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), apontou que 80,2% das
famílias brasileiras possuem alguma dívida. O número representa o maior nível
de endividamento de toda a série histórica da pesquisa feita mensalmente pela
Confederação, que se iniciou em 2010.

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