Dados do Banco Central do Brasil mostram que as
famílias destinam 29% da renda para dívidas desde outubro, o maior nível em 20
anos — sendo 10,38% para juros e 18,81% para o principal.
A inadimplência chegou a 6,9% entre o fim do ano
passado e janeiro, acima dos 5,6% de um ano antes e no maior patamar desde
2012. Entre os mais pobres, o índice atinge 7,5% para atrasos acima de 90 dias.
O problema é puxado por linhas de crédito mais
caras: rotativo do cartão (63,5% de inadimplência), cheque especial (16,5%) e
cartão parcelado (13%). O crédito rotativo cresceu 31,2% em um ano, o parcelado
18,3% e o cheque especial 13,8%, enquanto o crédito livre subiu 12,4%. As taxas
mensais chegam a 14,81% no rotativo, 9,43% no parcelado e 7,52% no cheque
especial. A Selic está em 14,75% ao ano.
Segundo a Federação Brasileira de Bancos, a
inadimplência aumentou em todas as faixas de renda, com maior impacto em quem
ganha até 3 salários mínimos.
Entre agosto de 2024 e julho de 2025, os gastos com
crédito e juros pressionaram o consumo, refletindo no varejo. As vendas em
shoppings cresceram apenas 1,2% em 2025, somando R$ 200,9 bilhões, abaixo da
inflação.
A expectativa é de melhora a partir de agosto, com
renegociação de dívidas e novas linhas como o consignado privado.
Mesmo com renda em alta, o peso das dívidas tem
afetado a percepção econômica: pesquisa Datafolha mostra que 46% avaliam piora
na economia (ante 41%), e 33% dizem que sua situação financeira piorou (ante
26%).

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