A disparada no preço do diesel e as restrições de
oferta já começam a afetar diretamente o agronegócio brasileiro, justamente no
período crítico entre a colheita e o plantio da segunda safra. O cenário é
reflexo da alta internacional do petróleo, impulsionada pela escalada do
conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Produtores de diversas regiões, do Sul ao
Centro-Oeste, relatam dificuldades para abastecer máquinas e garantir o
transporte da produção. O impacto atinge desde o arroz do Rio Grande do
Sul até a soja e o milho do Centro-Oeste, além das usinas de açúcar e
etanol de São Paulo.
O problema já chegou às bombas. Dados da Agência
Nacional do Petróleo apontam que o diesel ficou cerca de 19,4% mais caro
desde o início do conflito, pressionando o custo do frete, que subiu entre 10%
e 12%. Esse efeito em cadeia preocupa o governo, que vê risco direto de alta
nos preços dos alimentos, especialmente carnes, já que o milho — base da ração
animal — também pode encarecer.
Além do campo, serviços públicos também sentem o
impacto. Levantamento da Federação das Associações de Municípios do Rio
Grande do Sul indica que quase metade das prefeituras consultadas enfrenta
dificuldades para manter veículos e máquinas em operação por falta de
combustível.
Diante da crise, o governo federal tenta reagir com
medidas emergenciais, como redução de tributos, reforço na fiscalização de
preços e discussão sobre linhas de crédito para produtores. Ainda assim, o
temor é de que o diesel caro se transforme em mais um fator de pressão no bolso
do consumidor nos próximos meses.

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