A poucos meses do início formal do período
eleitoral, prefeitos que se tornaram alvos, diretos ou indiretos, de
investigações na Justiça adotaram no discurso de “perseguição” na véspera das
disputas aos governos estaduais como forma de alavancar as pré-campanhas.
O Metrópoles contabilizou ao menos três cidades em
que chefes do Executivo adotaram a mesma estratégia e são pré-candidatos:
Mossoró (RN), Macapá (AP) e Manaus (AM). O posicionamento é amplificado pela
forte presença digital e pelo discurso de serem alvos por se tratarem de
“outsiders” da política tradicional.
Mossoró
No fim de janeiro, a Polícia Federal cumpriu 35
mandados de busca e apreensão em uma operação que mira desvios de emendas para
a saúde no interior do Rio Grande do Norte, dentre os alvos estava o prefeito
de Mossoró (RN), Allyson Bezerra (União Brasil). Allyson formalizou o anúncio
da sua pré-candidatura ao governo do estado cerca de 10 dias depois de ter sido
alvo da Polícia Federal.
Após as buscas, Bezerra disse em publicação no Instagram,
aos seus 360 mil seguidores, que estava “em paz” e insinuou ser alvo de
perseguição política por estar à frente das pesquisas no RN.
“É um processo lá de 2023, só que agora, em janeiro
de 2026, ano eleitoral, ano em que o nosso nome, de maneira espontânea pelo
povo do Rio Grande do Norte, desponta em primeiríssimo lugar do governo do
Estado, foi que o nosso nome foi citado e está havendo essa investigação e a
presença da Polícia Federal em minha casa”, declarou.
Principais datas do período
eleitoral
- Janela
partidária: de 5 de março a 3 de abril;
- Registro
de estatutos, definição do domicílio eleitoral dos postulantes e
descompatibilização: 4 de abril
- Vedações
nas emissoras: 30 de junho
- Disponibilização
do fundão eleitoral: 1º de junho
- Início
da propaganda eleitoral: 16 de agosto
- Primeiro
turno: 4 de outubro
- Segundo
turno: 25 de outubro
Manaus
A 4.380 quilômetros de distância, o prefeito de
Manaus, David Almeida (Avante), adotou uma postura semelhante. A
pré-candidatura ao governo do Amazonas foi anunciada em 23 de fevereiro, dias
depois da Polícia Civil prender uma ex-chefe de gabinete dele na operação
contra o “núcleo político” do Comando Vermelho.
Durante o lançamento da pré-campanha, o prefeito
disse que foi “ameaçado” pelo senador, ex-aliado e pré-candidato ao governo do
Amazonas Omar Aziz (PSD). Aliados de David Almeida, agora, acusa o adversário
de ser o responsável pela prisão.
Nas redes sociais, ao anunciar sua entrada na
corrida eleitoral pelo Palácio Rio Negro, Almeida disse que não vai se “render
aos ataques dos poderosos” e que “muitas perseguições virão” aos seus 358 mil
seguidores.
Macapá
Na última semana foi a vez do prefeito de Macapá,
Dr. Furlan (PSD), formalizar a sua pré-candidatura ao governo do Amapá depois
de se ver envolvido em polêmica. O chefe do Executivo foi afastado por decisão
do Supremo Tribunal Federal (STF).
Além de Furlan, vice-prefeito Mario Neto também foi
afastado na segunda fase da Operação Paroxismo, deflagrada pela Polícia
Federal, que investiga um fraude na licitação, desvio de recursos públicos e
lavagem de dinheiro na construção do Hospital Geral Municipal de Macapá.
Em publicação nas redes sociais, Furlan disse que a
decisão judicial não vai “contra” ele, mas “contra a vontade do povo de
Macapá”. Acrescentou em seguida a intenção de ser candidato ao governo do
estado. “Diante disso, quero aqui reafirmar que sou pré-candidato ao governo do
Amapá para construir um futuro melhor (…) conto com o apoio de todos.”
No dia seguinte, o então prefeito afastado se
antecipou ao período de descompatibilização e renunciou ao cargo para concorrer
contra o atual governador, Clécio Luís (União Brasil).
Em carta endereçada ao presidente da Câmara
Municipal, Furlan disse que sua decisão “está pautada num anseio público, que
vem sendo materializado em inúmeras pesquisas de intenção de voto, que anseiam
a minha candidatura ao cargo de Governador do Estado do Amapá”.
Aliados do prefeito organizaram atos na capital
contra a operação e o afastamento de Furlan. As manifestações também foram
publicizadas pelo prefeito nas redes sociais.
Metrópoles

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