O empresário Luiz Rubini, ex-sócio do Grupo Fictor
alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) sobre fraudes bancárias nesta
quarta-feira, 25, é integrante do Conselho do Desenvolvimento Econômico Social
Sustentável (CDESS), órgão da Presidência conhecido como “Conselhão”. Ele foi
nomeado no colegiado em agosto passado por seu trabalho nas áreas de
“tecnologia, investimento e agronegócio”, e tem mandato até 2027.
Procurado, o Palácio do Planalto não respondeu. A
assessoria de Rubini afirmou ao Estadão que a defesa não teve conhecimento
prévio do processo e se manifestará oportunamente.
Conselhão é órgão consultivo da Presidência
O Conselhão é um órgão consultivo da Presidência da
República, chefiado pela Secretaria de Relações Institucionais. Foi criado em
2003, no primeiro mandato de Lula. Durante o governo Bolsonaro, o grupo foi
abolido. Conselheiros não são remunerados.
Em agosto, além de Rubini, foram nomeados 130 novos
integrantes para o colegiado, cujo objetivo é debater políticas públicas com
especialistas de diversas áreas, a exemplo de acadêmicos, empresários e
ativistas.
Fictor é alvo da PF em operação por fraudes bancárias
de meio bilhão e ligação com o CV
Rubini foi alvo de buscas da PF, no âmbito da
Operação Fallax, que investiga uma organização criminosa especializada em
crimes contra a Caixa, além de estelionato, lavagem de dinheiro e fraudes
bancárias que superam R$ 500 milhões. O CEO e fundador do Grupo Fictor, Rafael
Góis, também foi alvo de busca e apreensão.
A investigação começou em 2024, quando a PF
identificou um esquema estruturado voltado à prática de fraudes bancárias e
lavagem de capitais. Segundo a investigação, a organização criminosa atuava
mediante a cooptação de funcionários de instituições financeiras e o uso de
empresas de fachada, valendo-se de estrutura financeira associada para a
movimentação de recursos ilícitos. Há indícios de que parte desses valores
tinha origem em células criminosas vinculadas ao Comando Vermelho.
Os criminosos, conforme a PF, estruturavam suas
atividades por meio da criação em larga escala de pessoas jurídicas fictícias,
com padrões previamente definidos - como capital social simulado, objeto social
genérico e sócio único -, para obter crédito fraudulento junto a instituições
financeiras.
Estão sendo cumpridos 43 mandados de busca e
apreensão e 21 mandados de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal,
em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Também foi determinado o
bloqueio e o sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até o
limite de R$ 47 milhões, com o objetivo de descapitalizar a organização
criminosa.
Como mostrou a Coluna do Estadão, a Comissão de
Valores Mobiliários (CVM) investiga a Fictor por oferta irregular de
investimentos. A apuração, que é acompanhada pela PF, aponta que a empresa usou
seu site para divulgar aplicações financeiras sem o conhecimento da CVM.
No mês passado, a Fictor pediu recuperação judicial,
cerca de 80 dias após participar de uma operação de compra do Banco Master,
cujo dono, Daniel Vorcaro, está preso e negocia uma delação premiada.
Coluna do Estadão
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