sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Lula admite excluir Alckmin de chapa à reeleição em meio à busca por dobradinha com MDB ao Planalto

 


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu na quarta-feira (5) pela primeira vez a possibilidade de excluir de sua chapa à reeleição o vice Geraldo Alckmin (PSB), peça central da estratégia petista em 2022 para ampliar as alianças e derrotar Jair Bolsonaro. O movimento ocorre no momento em que o PT busca atrair o MDB para fazer uma dobradinha na corrida ao Palácio do Planalto.

Na quarta-feira, Lula afirmou que tanto Alckmin quanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ou a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), podem ser candidatos ao governo de São Paulo. O presidente aumentou a pressão para uma definição ao dizer que Alckmin e Haddad sabem que “têm um papel a cumprir”.

— Nós temos muito voto em São Paulo e temos condições de ganhar as eleições em São Paulo. Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo. Eles sabem. A Simone (Tebet) também tem um papel para cumprir, também não conversei com ela — disse Lula em entrevista ao Portal UOL.

Cartas na mesa

Segundo integrantes do governo, Lula passou a indicar que está no momento de colocar todas as cartas na mesa sem descartar nenhum cenário para a eleição, até para dificultar a estratégia dos adversários. Um auxiliar do presidente com assento no Planalto afirma que Lula vê com bons olhos a entrada de Alckmin na disputa de São Paulo.

A expectativa é que a decisão só ocorra na metade do ano. Seja para disputar governo estadual, Senado ou para se manter na vice, Alckmin precisa deixar o Ministério da Indústria e Comércio até o início de abril.

Um grupo de lideranças petistas afirma que Lula só tiraria o seu atual vice da chapa se fosse para atrair justamente o MDB para a aliança, mas o apoio do partido é considerado difícil.

Já aliados de Alckmin minimizaram a declaração, ao argumentar que Lula estava apenas convocando-o para articular o cenário político no estado. O próprio vice também tem revelado nos bastidores que não acredita que exista um desejo do mandatário de vê-lo na disputa estadual.

Pessoas próximas ao vice dizem que o eleitor que votava em Alckmin em São Paulo no passado migrou para o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e hoje não tem mais identificação com o vice-presidente, justamente por causa da sua aliança com PT. Assim, hoje o ex-tucano acredita ser mais importante no projeto nacional do que na disputa em seu estado de origem.

Já Haddad tem dito publicamente que não quer ser candidato neste ano, mas é instado por correligionários a disputar as eleições em São Paulo. A preocupação do PT é evitar que o candidato de oposição a Lula na corrida ao Palácio do Planalto abra uma grande vantagem sobre o petista no estado, o que, segundo essa avaliação, pode ocorrer se o palanque estadual não for forte.

Nesse contexto, é lembrado o papel de Haddad em 2022, quando o petista levou a eleição contra Tarcísio ao segundo turno e contribuiu para que o ex-presidente Jair Bolsonaro não se distanciasse tanto de Lula, que chegou a ser mais votado do que o adversário na capital. Na ocasião, Haddad perdeu para Tarcísio por uma diferença de 2,4 milhões de votos — ou 55,34% a 44,66% dos votos válidos.

No caso de Tebet, o cenário mais provável é que a ministra deixe o MDB para disputar o Senado por São Paulo, uma vez que o diretório paulista do partido é próximo ao bolsonarismo e deve apoiar os candidatos do atual governador. Ela tem convite para se filiar ao PSB.

— Acho que a gente pode ganhar as eleições (para o governo estadual) em São Paulo se a gente escolher um candidato a governador, o Alckmin ou o Haddad, a Simone Tebet. Nós vamos ganhar aquelas eleições em São Paulo, porque é o seguinte: quem é que fez mais política social? Quero comparar com os governadores — disse Lula.

Caso um acordo para uma chapa presidencial entre PT e MDB vingue, os citados para eventualmente ocupar o posto de vice de são Renan Filho e o governador do Pará, Helder Barbalho. Ambos têm, no momento, planos de disputar a eleição em seus estados, concorrendo ao governo e ao Senado, respectivamente. O MDB tem um longo histórico de divisões regionais. Mesmo quando a legenda formalizou as alianças com Dilma Rousseff em 2010 e 2014 com a indicação de Michel Temer para vice, houve dissidências.

Haddad também têm sido pressionado por ministros petistas, como Camilo Santana (Educação) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), a ser candidato em outubro. O titular da Fazenda tem resistido e afirma que prefere participar da coordenação da campanha à reeleição e, nesta semana, disse que na conversa definitiva com Lula sobre o assunto “resta saber quem vai convencer quem”.

Mandato para o STF

Lula também reafirmou na quarta que defende um mandato para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, no entanto, essa decisão nada tem a ver com a tensão entre os Poderes que tem se acirrado após os atos golpistas do 8 de Janeiro.

O presidente relembrou que a instituição de um mandato para ministros da Corte estava previsto no programa de governo do PT, quando Haddad disputou a Presidência em 2018. A medida também estava prevista em sua plataforma de 2022.

— Eu acho que nada está livre de mudanças. Durante a campanha do Haddad em 2018, estava um mandato para o STF. Eu acho que vamos discutir isso, porque não é justo uma pessoa entrar com 35 anos e ficar até 75 anos, é muito tempo — disse o presidente, ressaltando que esta decisão cabe ao Congresso.

Os nomes para a eleição no estado

Fernando Haddad - O ministro é o plano A do PT para disputar a eleição ao governo de SP, apesar de ele declarar com frequência que esse não é o seu desejo. A avaliação é que, mesmo que Haddad saia derrotado, ele dará um palanque forte para Lula no maior colégio eleitoral do país.

Geraldo Alckmin - Ex-governador do estado, o vice-presidente, assim como o seu partido, o PSB, defende a sua manutenção na chapa de Lula. Mas seu recall em São Paulo o coloca como nome competitivo para o Senado, além de ser alternativa para disputar o Bandeirantes.

Simone Tebet - O bom desempenho da ministra do Planejamento nas eleições presidenciais faz com que ela seja considerada para disputar o Senado por São Paulo. Para isso, contudo, Tebet tem até 4 de abril para trocar seu domicílio eleitoral, hoje no Mato Grosso do Sul.

Pacheco ainda é esperança em Minas

Para a disputa do governo de Minas, estado que costuma refletir o resultado da eleição nacional, o presidente Lula voltou a defender que o senador Rodrigo Pacheco seja o candidato. O ex-presidente do Senado está filiado hoje ao PSD, mas deve trocar a legenda pelo União Brasil, numa articulação feita pelo atual presidente da Casa e seu aliado de primeira hora, Davi Alcolumbre (União-AP).

— Ainda não desisti de você, viu, Pacheco. Vamos ter uma conversa e acho que você pode ser o futuro governador de Minas Gerais — afirmou ontem o presidente em entrevista ao UOL.

A mudança de partido de Pacheco, prevista para acontecer após o carnaval, ocorre após o PSD filiar o vice-governador de Minas, Matheus Simões, que deve disputar a sucessão de Romeu Zema (Novo), adversário de Lula.

Pacheco ainda não decidiu se vai concorrer. Paralelamente, o PT articula outras alianças, incluindo com Alexandre Kalil, nome do PDT.

O Globo

 

 

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