Cláudio Oliveira
Repórter
O pátio Norte do Porto de Natal terá investimentos
estimados em R$ 55,17 milhões ao longo de 15 anos. Arrematado pela companhia
indiana Fomento do Brasil Mineração, no leilão realizado nesta quinta-feira
(26) na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), o empreendimento será destinado à
movimentação e armazenagem de granéis sólidos minerais, com foco no escoamento
de minério de ferro.
A empresa vencedora é a mesma que vai executar o
projeto Ferro Potiguar na região Seridó do estado e apresentou proposta única,
oferecendo R$ 50 mil como valor de outorga pelo arrendamento da área com cerca
de 21 mil metros quadrados. O projeto prevê a modernização das instalações,
ampliação da capacidade de armazenagem de granéis sólidos, melhoria da
eficiência logística, redução de custos operacionais e reforço da segurança nas
operações portuárias, com impacto direto na competitividade da cadeia produtiva
mineral.
Para o diretor-presidente da Companhia Docas do RN
(Codern), Paulo Henrique Macedo, o resultado do leilão representa um marco
histórico para o terminal. “Hoje é um dia muito importante para o Porto do
Natal. Acabamos de relicitar a área do NAT01, que é o nosso pátio norte, com 21
mil metros quadrados e investimentos de R$ 55 milhões nos próximos 15 anos.
Esse arrendamento vai possibilitar quase duplicar a quantidade de tonelagem de
cargas escoada pelo Porto do Natal”, afirmou. Segundo ele, trata-se do primeiro
arrendamento da história do porto, viabilizado a partir de um trabalho
articulado entre o governo federal, o governo estadual e a autoridade
portuária.
A Fomento é responsável pelo projeto Ferro Potiguar,
empreendimento que tem como objetivo a extração, beneficiamento e
comercialização de minério de ferro na região do Seridó do RN. A integração
entre a produção mineral no interior do estado e a estrutura logística
instalada na capital é apontada como estratégica para ampliar a capacidade de
exportação do Rio Grande do Norte e reduzir gargalos no transporte de cargas.
Durante o leilão, o CEO da Fomento do Brasil
Mineração, Anuj Timblo, ressaltou o caráter de longo prazo do investimento e a
confiança da companhia no ambiente institucional brasileiro. “Para a Fomento,
este projeto representa muito mais do que um investimento, representa uma
parceria de longo prazo. Não pensamos em ciclos curtos, pensamos em décadas”,
declarou, destacando a experiência internacional do grupo, com mais de 70 anos
de atuação na Índia.
“O Rio Grande do Norte reúne talento, vocação
logística, potencial mineral e uma localização estratégica. Nosso compromisso é
estruturar o projeto com responsabilidade financeira, avançar com planejamento
técnico rigoroso, gerar empregos, desenvolver fornecedores locais e criar um
legado positivo para o Estado”, acrescentou o CEO.
Do ponto de vista regulatório, o diretor-geral da
Antaq, Frederico Dias, avaliou o leilão como parte de um momento positivo
vivido pelo setor aquaviário brasileiro. “Vivemos um momento de celebração. Em
2025, o setor movimentou 1,4 bilhão de toneladas, um crescimento de 6,1%.
Melhorar a infraestrutura portuária significa mais competitividade para os
produtos brasileiros e comida mais barata na mesa da população”, disse.
O certame integrou o primeiro bloco de arrendamentos
portuários de 2026, promovido pelo Ministério de Portos e Aeroportos em
parceria com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Além de
Natal, outros dois terminais foram concedidos à iniciativa privada nos portos
de Santana, no Amapá, e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A expectativa
inicial do governo federal é de que os contratos firmados nesse bloco atraiam
cerca de R$ 226 milhões em investimentos privados.
O bloco de arrendamentos foi acompanhado pelo
ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, que classificou os leilões
como indicativos do fortalecimento da infraestrutura nacional. A expectativa do
ministério é realizar 18 leilões portuários ao longo de 2026.

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