A Defensoria Pública goiana entrou com uma ação
civil pública contra a Globo, a CNN Brasil, a Record e o SBT. A instituição
quer que as emissoras paguem uma indenização de R$ 1 milhão em danos morais
coletivos a Sarah Araújo e ao estado de Goiás, por supostamente incitar um
linchamento virtual contra ela.
Sarah é a mãe das duas crianças mortas em Itumbiara,
no interior de Goiás, há menos de duas semanas. Segundo a investigação, o
ex-marido dela, Thales Machado, atirou contra os filhos e se matou em seguida.
O caso é tratado como duplo homicídio seguido de suicídio.
Segundo documentos obtidos pela coluna, a Defensoria
afirma que a tragédia de Sarah foi amplificada nas redes sociais pela
publicação de imagens em que ela aparece beijando um homem. O vídeo foi gravado
a mando de Machado, que contratou um detetive para segui-la, de acordo com a
própria ação.
Procuradas pela coluna F5 da Folha de S. Paulo desde
a manhã da segunda-feira (23), Globo, Record e SBT não se manifestaram. Apenas
a CNN se pronunciou. O canal diz que ainda não foi notificado e afirma que não
publicou o vídeo em questão.
A ação afirma que ficou comprovado que Sarah estava
solteira e que não mantinha mais um relacionamento amoroso com Machado na época
do crime. A exibição do vídeo pelas emissoras teria causado um linchamento
virtual contra a vítima, que foi apontada como alguém que estaria traindo o
marido. Como consequência, ela chegou a ser ofendida durante o enterro dos
filhos e precisou de escolta policial no local.
No pedido, a Defensoria pediu a imediata exclusão
das reportagens que falavam da suposta traição, assim como de postagens
ofensivas nas redes sociais no prazo de 24 horas, sob pena de multa diária de
R$ 10 mil. A instituição também solicitou a publicação de uma nota de
retratação, além da indenização.
A Defensoria tentou uma liminar para tirar as
reportagens e publicações do ar o quanto antes. No entanto, o TJ-GO (Tribunal
de Justiça de Goiás) disse que não tinha competência para julgar, por envolver
questões jurídicas muito complexas para serem decididas em caráter de urgência.
Desse modo, o processo passou a seguir seu curso regular.
F5 – Folha de S. Paulo

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