A República Islâmica do Irã chegou a um ponto de
esgotamento em que não há mais caminhos sem custo humano elevado. Qualquer que
seja o desfecho da crise atual, o cenário aponta para um resultado trágico. O
país já vive uma catástrofe humanitária, com um regime envelhecido, autoritário
e violento reprimindo protestos populares enquanto parte da comunidade internacional,
incluindo o Brasil, mantém silêncio ou indignação seletiva diante das graves
violações de direitos humanos.
A informação é de William Waack, da CNN.
O contexto se agrava com a atuação externa. De um lado, a indiferença
diplomática de governos que evitam condenar Teerã; de outro, a postura errática
do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que incentiva a população
iraniana a ir às ruas sem deixar claro que tipo de apoio real poderia oferecer.
O resultado é um aumento da tensão interna sem qualquer garantia de proteção
aos manifestantes.
Geopoliticamente, o Irã ocupa uma posição central no
Oriente Médio, não apenas por sua localização estratégica, população numerosa e
recursos naturais, mas sobretudo por seu papel histórico nas disputas religiosas
do mundo muçulmano. A revolução islâmica de 1979 transformou profundamente a
relação entre Estado e religião, submetendo o poder político à autoridade
máxima religiosa e influenciando milhões de pessoas além das fronteiras
iranianas.
Décadas depois, porém, essa revolução mostra claros
sinais de falência. O regime sobrevive sustentado pela repressão a demandas
básicas, como melhores condições de vida e liberdade. Se conseguir resistir, o
país seguirá mergulhado em instabilidade e violência. Se ruir ou se transformar,
o processo também tende a ser sangrento. Em qualquer cenário, o Irã parece
condenado a atravessar um dos períodos mais sombrios de sua história recente.
Com informações da CNN

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