A visita do governador de São Paulo, Tarcísio de
Freitas (Republicanos), ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso na
Papudinha, nesta quinta-feira (29), jogou uma pá de cal nas esperanças de
aliados que ainda sonhavam com uma reviravolta para vê-lo candidato à Presidência
da República.
Em reserva, pessoas próximas ao chefe do Executivo
paulista reclamam que “faltou coragem” do governador para enfrentar o
bolsonarismo e construir uma candidatura ao Palácio do Planalto, como queriam
partidos do centro e uma parcela significativa do mercado financeiro.
Entusiastas do projeto presidencial de Tarcísio
disseram à CNN que o sentimento é de “decepção” com o que consideram uma
obediência excessiva, que “beira à subserviência”, ao ex-presidente e à sua
militância.
Ao deixar o presídio onde Bolsonaro cumpre 27 anos e
três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, o governador disse que
não há dúvida do seu apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido pelo
pai, à Presidência. Ainda na coletiva, Tarcísio declarou que “desde 2023” seu
interesse “é ficar em São Paulo”.
“Isso não tem controvérsia nenhuma, eu tenho uma
linha de coerência, falei lá atrás que tenho um comprometimento com o estado de
São Paulo, sou grato ao estado de São Paulo”, enfatizou.
“Eu tenho um papel importante dentro do time, que é
cuidar do estado, que é o maior colégio eleitoral do Brasil. O grupo tem uma
tarefa importante, que é proporcionar para o Brasil um projeto diferente”,
disse o governador.
Publicamente, Tarcísio, de fato, jamais admitiu
concorrer ao Planalto. Nos bastidores, as estratégias para a disputa pela
Presidência foram amplamente debatidas por caciques partidários, aliados e até
marqueteiros.
A expectativa era que Bolsonaro, ao fim, desse o
aval a Tarcísio para enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ex-presidente,
porém, escolheu manter o legado na família e lançou Flávio, seu filho mais
velho, no fim do ano.
As pesquisas que mostram melhora no desempenho do
senador só reforçaram a decisão, embora, neste momento, Flávio tenha menos
chance de bater o atual presidente no segundo turno da disputa.
Aliados de Tarcísio mais próximos de Bolsonaro
alertaram o governador que seus passos rumo ao centro, sob conselho de Gilberto
Kassab, presidente do PSD e seu secretário de governo, poderiam implodir pontes
com a direita mais fervorosa e até mesmo ameaçar sua reeleição, atualmente
considerada como certa.
Esses mesmos interlocutores, após a ida à Papudinha,
dizem que Tarcísio está “em paz” com Bolsonaro e com sua decisão de disputar a
reeleição ao Palácio dos Bandeirantes.
Na avaliação do grupo, mais quatro anos à frente da
gestão do maior estado do país o credenciam para chegar a 2030 mais preparado
e, sobretudo, com uma base eleitoral própria. Neste momento, porém, afirmam que
é preciso reconhecer a dependência do bolsonarismo.
CNN Brasil

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